Entre as palavras mais usadas em 2011 figuram a troika e o colossal, mas antevê-se que o simples prefixo latino – re - as substituirá em 2012.
Na verdade, reestruturar, reutilizar, reaprender, retroceder, regredir e recomeçar, bem como dos seus derivados, serão certamente palavras do nosso quotidiano, em 2012.
Ao nível governativo, a reestruturação ou renegociação da dívida será a consequência natural da expectável recessão da economia. A Grécia já a realizou uma vez, em 2011, e seguir-se-ão outros Estados com endividamento excessivo, como Portugal, Irlanda, Espanha, Itália, etc. Uma vez que não há dúvida que existe uma crise financeira internacional e que é cada vez maior o número de Estados, mesmo fora da Europa, em situação difícil, parece não existir outro caminho. Por isso tem-se como garantido que pelo menos a discussão estará na ordem do dia.
Mas, quem não irá escapar à reestruturação da dívida, já em 2012, serão as famílias, as não falidas, mas apenas endividadas.
Neste ano, que agora começa, com membros do agregado familiar desempregados, as famílias não terão alternativa senão ir junto das instituições bancárias onde contraíram dívidas, muitas vezes para comprar habitação, e procurar renegociar um prazo (ainda) mais alargado para pagamento da mesma, tentando baixar a respectiva prestação mensal.
Reutilizar alguns bens poderá ser uma boa forma de, em 2012, evitar alguns gastos e assim ter poupanças. A reutilização deixará de estar ligada apenas às preocupações ambientais (que dava um toque de modernidade) e passará a ser uma necessidade.
Reaprender a ser solidário, a respeitar os demais cidadãos, a estabelecer laços de vizinhança mais fortes, a proteger o colectivo em detrimento do individual poderá ser a solução para, sem depender do Estado, manter uma coesão social mínima, mas muito necessária.
Contra todas as promessas eleitorais, entramos, em 2012, com a garantia de que já regredimos num considerável número de direitos que tínhamos como adquiridos. Deixou de haver estabilidade salarial, o número de dias de férias e os feriados já não serão os mesmos, e a saúde, tendencialmente gratuita, tende a ficar como uma miragem.
Um ano que para muitos, demasiados, portugueses a única solução será mesmo recomeçar.
Com tantos “re” podemos facilmente antecipar que o ano que agora começa já pode ser apelidado, com alguma segurança, de ano prefixo.
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