
A última grande reforma da legislação laboral foi preparada em 3 anos (2006-2009) e assentou num amplo período de estudo, reflexão e concertação entre todos os parceiros sociais. O livro verde, o livro branco e o acordo tripartido permitiram uma solução abrangente e equilibrada, baseada em dados objectivos e na sensibilidade de empregadores e sindicatos, que somou flexibilidade às relações laborais, reforçando direitos dos trabalhadores e valorizando a contratação colectiva.
Mesmo com o recuo anunciado na ideia estapafúrdia do acréscimo de meia hora de trabalho, todas as ideias deste Governo preparadas à pressão e vindas agora a público parecem ter um único sentido: retirar direitos aos trabalhadores à boleia de um "compromisso para a competitividade". E no tempo que vivemos, facilitar e embaratecer os despedimentos e reduzir o tempo de descanso apenas acrescentará desemprego ao desemprego e não trará nada à economia.
Na verdade, o que o nosso país precisava era de um "compromisso para a competitividade" mas em cada empresa, utilizando plenamente, através da negociação colectiva, as potencialidades da legislação actual. Mas para isso são necessários gestores preparados para liderar e sindicalistas que se empenhem mais no sucesso e viabilidade das empresas e menos em agradar o comité central.
Sem comentários:
Enviar um comentário