
Ao Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), alicerce da moeda única europeia, acrescenta-se um novo Tratado. Para quê? Para regular o que já estava regulado? Para sancionar o que já era sancionável? Para firmar parâmetros orçamentais comuns com expectativa de iludir agências de rating ou mercados especulativos irremediavelmente cegos pelo lucro rápido e fácil?
Em rigor, o problema do Euro não esteve no incumprimento generalizado do PEC (que incluiu Alemanha e França), inevitável face à catástrofe financeira de 2008, que se procura agora colmatar, mas nas debilidades estruturais das economias sem imunidade à instabilidade externa dos mercados.
Em vez de reincidir na ideia de asfixia orçamental dos Estados que agrava as condições para a recuperação e consolidação fiscal, talvez fosse mais importante compreender a insuficiência de vigor e resultados da chamada «Estratégia de Lisboa» que apostou, e bem, o futuro da Europa na inovação, tecnologia e conhecimento. Uma estratégia europeia que parece sucumbir perante as consequências da grave crise que vivemos e continua à espera de um novo e necessário impulso para ser o motor de crescimento e desenvolvimento das economias europeias.
Quem acredita verdadeiramente na Europa sabe que esta Europa de Merkel e Sarkozy não é Europa. Esta Europa que dá prioridade aos bancos e divide europeus entre países ricos e pobres parece apenas uma espécie de “holding” ao serviço dos mais influentes interesses financeiros ou um palco internacional utilizado em função de circunstanciais interesses eleitorais.
Esta Europa carente de líderes visionários e de ideias mobilizadoras, que não hesita nivelar por baixo os índices de bem-estar em nome de resultados financeiros, continua a demonstrar que não está disponível para decidir sobre políticas activas de emprego, harmonização fiscal, regulação consistente dos mercados financeiros, coesão social e combate à pobreza, mudança efectiva do paradigma energético, um novo enquadramento ético das relações comerciais internacionais ou o aprofundamento democrático da União. E esta Europa assim não serve.
Todos esperamos pelo regresso da Europa dos Europeus. Aquela que centra a sua acção nas pessoas sem olhar a nacionalidade ou origem. Aquela que discute primeiro o crescimento económico e o combate às desigualdades, motivada pela construção de uma nova e plena cidadania europeia. Uma referência de Esperança para todos os povos do mundo.
Venham as eleições…
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