
Passou despercebida a notícia de que o Governo Irlandês estaria a negociar com a Troika a possibilidade de parte das receitas resultantes de privatizações ora acordadas no contrato de ajuda financeira, pudessem ser alocadas a políticas de criação de emprego e não fossem apenas utilizadas no abatimento da dívida.
Se parte da dívida soberana resulta de juros especulativos e a situação de excepção que vivem as economias justifica dramaticamente medidas extraordinárias, parece perfeitamente razoável que os Estados, obrigados pelos credores a sacrificar participações em sectores estratégicos da economia com processos de privatização compulsiva, não queiram encaminhar as respectivas receitas exclusivamente para entidades financeiras credoras e considerem também a possibilidade de investir parte das mesmas na dinamização da economia. Porque sem economia mais cedo ou mais tarde não se pagam dívidas e isso não interessa nem ao mais ganancioso especulador financeiro.
Resta saber se o Governo Português do “custe o que custar “ terá lucidez para seguir este caminho.
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