
Todos os partidos de Esquerda rejeitaram a ideia do Governo contratar agências privadas para ajudar os desempregados portugueses a encontrarem oportunidades de trabalho. Porque são privados e porque há entidades públicas com essa missão. Eis um caso de flagrante precipitação e preconceito ideológico em que a Esquerda desperdiça uma oportunidade para discutir seriamente políticas de emprego, perdendo a noção do que é essencial e favorecendo as posições dos partidos à Direita.
Na situação de excepção que vivemos, com números insustentáveis de desempregados, todos os esforços devem ser considerados. Creio até que nenhum serviço público de emprego, num país como o nosso, estará preparado, em estrutura e recursos, para lidar eficientemente com mais de 800.000 pessoas sem emprego. Pelo menos com os padrões mínimos de proximidade e apoio exigíveis na maior parte dos casos.
Para quem defende absolutamente políticas activas de emprego, o importante é ajudar as pessoas e as empresas a encontrar as respostas que precisam com eficácia e celeridade, num quadro de exigente mudança de modelo de económico, ainda que seja utilizando uma lógica de complementariedade ou parceria com entidades sejam elas de que natureza forem.
Em vez de recusar a ideia com fundamentos ideológicos simplistas, gostava de ver a Esquerda acolher as iniciativas que podem ir no bom sentido ampliando as capacidades e recursos para a situação de emergência que vivemos, mas exigindo e debatendo, evidentemente, os necessários critérios de rigor e equidade que salvaguardem o interesse público na relação com os privados e a liderança inderrogável das entidades públicas em todo o processo. Questionando objectivamente, se for caso disso, os seus resultados ou a sua eficácia comparando com outras alternativas de apoio ao emprego.
Claro está que, neste debate, o Governo não deve esquecer que pouco valem as iniciativas públicas de apoio ao processo de procura de empregos se a economia e as empresas não tiverem condições para os criar.
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