terça-feira, 13 de março de 2012

E agora Coimbra?

Coimbra é uma cidade de dimensão média onde muitos cidadãos escolheram viver.
Sem desprimor para os demais, refiro aqueles que puderam efectivamente optar. Nos quais me incluo.  
Claro que, na decisão, pesaram fatores afetivos, as oportunidades de trabalho, a segurança, o acesso à educação, à cultura e ao desporto.  
Coimbra, no contexto nacional, transmite ainda uma forte mensagem, na afirmação de uma certa maneira de falar, de escrever e sobretudo de pensar.
Com uma forte componente de serviços, muitos deles públicos, a cidade e os seus profissionais foram quase sempre uma referência nacional.
Em todo o espaço nacional e nas comunidades falantes do português, os conimbricenses são olhados com simpatia e, sobretudo, com respeito.
Identificada com a sua Universidade, com mais se sete séculos e uma das mais antigas da Europa, a cidade já foi um exemplo de modernidade e de ambição.
Contudo, o desenvolvimento do resto do país a partir do início dos anos 90, possibilitou a outras cidades de média dimensão, uma afirmação sem paralelo. Neste particular, merece destaque a cidade de Guimarães, Capital Europeia da Cultura no corrente ano.
Guimarães demonstrou que com muito trabalho, um planeamento cuidado a médio e longo prazo e uma liderança agregadora de vontades, é possível atingir-se uma afirmação exemplar.
Guimarães é presidida por um autarca de grande prestígio do Partido Socialista. Mas isso, por si só, é insuficiente. Foram consensos sobre os assuntos fundamentais para a cidade que permitiram uma forte afirmação a nível nacional.
Coimbra tem enunciado querer ser muita coisa - capital do conhecimento, capital da saúde, capital da região centro, mas, progressivamente tem vindo a perder importância económica, influência política e protagonismo, sendo, hoje, uma cidade parada no tempo a contemplar a torre da sua Universidade.
Coimbra, que vem sendo governada nos últimos dez anos por uma coligação liderada pelo PSD, deixou-se ir na onda dos lobbys da construção e das rotundas, muito para além do necessário, sem ser capaz de atentar que um dia, não haveria gente para as novas habitações. Faltou-lhe uma liderança sagaz e preparada, com capacidade de planear e para imprimir um rumo.
Contudo, Coimbra tem uma característica única face às demais cidades médias do país. É uma cidade onde se enriquece a língua portuguesa. É uma cidade enriquecida pela língua portuguesa. Gerações de cidadãos portugueses estudaram na cidade Coimbra. Gerações de cidadãos dos países de origem de língua portuguesa passaram por Coimbra e outras, mais jovens, continuam a procurar a cidade.
Antes de Guimarães ser capital europeia da cultura, em 2012, o Porto já havia sido em 2001. É de relembrar que Coimbra foi a primeira capital nacional da cultura.
As sociedades para se desenvolverem carecem de desafios e, Coimbra, também. Chegou a hora de Coimbra ambicionar ser Capital Europeia da Cultura, em 2022. Um desafio que teria na lusofonia a sua alma. Com tempo e sem a espuma do curto prazo, chegou a hora de preparar a cidade.
É a hora de começar.

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