Sem desprimor para os demais, refiro aqueles que puderam efectivamente optar. Nos quais me incluo.
Claro que, na decisão, pesaram fatores afetivos, as oportunidades de trabalho, a segurança, o acesso à educação, à cultura e ao desporto.
Coimbra, no contexto nacional, transmite ainda uma forte mensagem, na afirmação de uma certa maneira de falar, de escrever e sobretudo de pensar.
Coimbra, no contexto nacional, transmite ainda uma forte mensagem, na afirmação de uma certa maneira de falar, de escrever e sobretudo de pensar.
Com uma forte componente de serviços, muitos deles públicos, a cidade e os seus profissionais foram quase sempre uma referência nacional.
Em todo o espaço nacional e nas comunidades falantes do português, os conimbricenses são olhados com simpatia e, sobretudo, com respeito.
Identificada com a sua Universidade, com mais se sete séculos e uma das mais antigas da Europa, a cidade já foi um exemplo de modernidade e de ambição.
Contudo, o desenvolvimento do resto do país a partir do início dos anos 90, possibilitou a outras cidades de média dimensão, uma afirmação sem paralelo. Neste particular, merece destaque a cidade de Guimarães, Capital Europeia da Cultura no corrente ano.
Guimarães demonstrou que com muito trabalho, um planeamento cuidado a médio e longo prazo e uma liderança agregadora de vontades, é possível atingir-se uma afirmação exemplar.
Guimarães é presidida por um autarca de grande prestígio do Partido Socialista. Mas isso, por si só, é insuficiente. Foram consensos sobre os assuntos fundamentais para a cidade que permitiram uma forte afirmação a nível nacional.
Coimbra tem enunciado querer ser muita coisa - capital do conhecimento, capital da saúde, capital da região centro, mas, progressivamente tem vindo a perder importância económica, influência política e protagonismo, sendo, hoje, uma cidade parada no tempo a contemplar a torre da sua Universidade.
Coimbra, que vem sendo governada nos últimos dez anos por uma coligação liderada pelo PSD, deixou-se ir na onda dos lobbys da construção e das rotundas, muito para além do necessário, sem ser capaz de atentar que um dia, não haveria gente para as novas habitações. Faltou-lhe uma liderança sagaz e preparada, com capacidade de planear e para imprimir um rumo.
Contudo, Coimbra tem uma característica única face às demais cidades médias do país. É uma cidade onde se enriquece a língua portuguesa. É uma cidade enriquecida pela língua portuguesa. Gerações de cidadãos portugueses estudaram na cidade Coimbra. Gerações de cidadãos dos países de origem de língua portuguesa passaram por Coimbra e outras, mais jovens, continuam a procurar a cidade.
Antes de Guimarães ser capital europeia da cultura, em 2012, o Porto já havia sido em 2001. É de relembrar que Coimbra foi a primeira capital nacional da cultura.
As sociedades para se desenvolverem carecem de desafios e, Coimbra, também. Chegou a hora de Coimbra ambicionar ser Capital Europeia da Cultura, em 2022. Um desafio que teria na lusofonia a sua alma. Com tempo e sem a espuma do curto prazo, chegou a hora de preparar a cidade.
É a hora de começar.
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