sexta-feira, 9 de março de 2012

Uma ponte é uma passagem...




Este recente caso em torno das compensações à Lusoponte levou o país para uma espécie de nevoeiro de razões e dúvidas em que o interesse público aparece como entidade menor.

Passados tantos anos, já parece extemporâneo perguntar como Ferreira do Amaral é Presidente desta empresa imediatamente depois de ter sido o Ministro das Obras Públicas responsável pela negociação do seu financiamento.

Ainda assim, continua a contar para os portugueses saber porque razão o Estado cedeu a "compensar" uma empresa privada, num negócio monopolista de lucro garantido e ilimitado, inicialmente sujeito a concurso público e ao princípio da concorrência? Afinal, em que termos se negoceiam contratos de milhões em nome do Estado e de todos nós? Porque razão se mantêm estes contratos blindados pela opacidade e falta de escrutínio público?

Irónico é verificar que é o mesmo Secretário de Estado que "paga em dobro" 4 milhões de euros à Lusoponte que, como se sabe, tem o exclusivo da passagem rodoviária sobre o Tejo, que extingue horários e asfixia as empresas de transporte colectivo que servem as populações das duas margens, atirando as pessoas para o transporte individual e para o pagamento de portagens nas duas pontes. Talvez esteja encontrado um forte candidato para próximo Presidente da Lusoponte...

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