Um
dos grandes trunfos de Portugal - vencer a crise da dívida soberana, conforme
tem vindo a ser salientado nos
meios de comunicação social – é a da observância de um amplo consenso político
e social.
Com
efeito, é do domínio público, que qualquer consenso pressupõe a cedência dos
respetivos atores ou interlocutores quanto à sua posição inicial até
encontrarem pontos comuns de entendimento.
Para
tal, é fundamental “não deixar esticar a corda até ao limite”, pois quando a
“corda parte”, deixa de ser possível obter acordo algum.
O
acordo celebrado, em Janeiro do corrente ano, na concertação social, entre
Governo, “patrões” e a UGT (segundo maior sindicato dos trabalhadores, considerado
como próximo do Partido Socialista) traduz-se num expressivo exemplo de amplo
consenso social.
No
plano politico, a abstenção, ainda que “violenta”, do maior partido da oposição
na aprovação do Orçamento de Estado (OE), abstenção da votação na generalidade
ao “novo” Código do Trabalho e a recente votação favorável ao Tratado Europeu,
são outros exemplos significativos.
Todos
conhecemos o trajeto percorrido até os mencionados “consensos “ terem sido
obtidos. Note-se que, os partidos do Governo nunca cederam na sua posição
inicial, não obstante a razoabilidade das diversas propostas apresentadas pelo
maior partido da oposição, de que é exemplo, no OE, apenas retirar um dos
subsídios aos funcionários públicos e não os dois, e no Tratado Europeu, a
proposta de um texto conjunto, em formato de resolução, que salientava a
necessidade do crescimento económico para além das questões financeiras.
Foi
uma evidência, a irrelevância dada pelos partidos da maioria, em sede
parlamentar, às propostas do maior partido da oposição e, não deixa de parecer algo
bizarro, que o Governo da maioria enfatize internacionalmente os consensos
obtidos, para os quais, pouco ou nada, contribuiu.
Em
conclusão, numa conjuntura muito difícil, em que é consensual que os acordos terão
de vir a ser revistos, simulacro de negociação, em que os mais fortes nunca
cedem, ofereceram (facultaram) à oposição o melhor dos argumentos para não
“consensualizar”. O primeiro exemplo fora já dado com a votação da lei “da
extinção das freguesias”, relembre-se, que, não só, motivou a maior manifestação
de rua contra o atual Governo, mas também, foi aprovada apenas com
os votos favoráveis do PSD e CDS.
Do amplo
consenso, à desnecessária imprudência de “esticar a corda” ao limite
não passou ainda um ano de Governo.
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