quinta-feira, 26 de abril de 2012

Esticar a corda



Um dos grandes trunfos de Portugal - vencer a crise da dívida soberana, conforme tem vindo a ser salientado nos meios de comunicação social – é a da observância de um amplo consenso político e social.

Com efeito, é do domínio público, que qualquer consenso pressupõe a cedência dos respetivos atores ou interlocutores quanto à sua posição inicial até encontrarem pontos comuns de entendimento.

Para tal, é fundamental “não deixar esticar a corda até ao limite”, pois quando a “corda parte”, deixa de ser possível obter acordo algum.

O acordo celebrado, em Janeiro do corrente ano, na concertação social, entre Governo, “patrões” e a UGT (segundo maior sindicato dos trabalhadores, considerado como próximo do Partido Socialista) traduz-se num expressivo exemplo de amplo consenso social.

No plano politico, a abstenção, ainda que “violenta”, do maior partido da oposição na aprovação do Orçamento de Estado (OE), abstenção da votação na generalidade ao “novo” Código do Trabalho e a recente votação favorável ao Tratado Europeu, são outros exemplos significativos.

Todos conhecemos o trajeto percorrido até os mencionados “consensos “ terem sido obtidos. Note-se que, os partidos do Governo nunca cederam na sua posição inicial, não obstante a razoabilidade das diversas propostas apresentadas pelo maior partido da oposição, de que é exemplo, no OE, apenas retirar um dos subsídios aos funcionários públicos e não os dois, e no Tratado Europeu, a proposta de um texto conjunto, em formato de resolução, que salientava a necessidade do crescimento económico para além das questões financeiras.

Foi uma evidência, a irrelevância dada pelos partidos da maioria, em sede parlamentar, às propostas do maior partido da oposição e, não deixa de parecer algo bizarro, que o Governo da maioria enfatize internacionalmente os consensos obtidos, para os quais, pouco ou nada, contribuiu.

Em conclusão, numa conjuntura muito difícil, em que é consensual que os acordos terão de vir a ser revistos, simulacro de negociação, em que os mais fortes nunca cedem, ofereceram (facultaram) à oposição o melhor dos argumentos para não “consensualizar”. O primeiro exemplo fora já dado com a votação da lei “da extinção das freguesias”, relembre-se, que, não só, motivou a maior manifestação de rua contra o atual Governo, mas também, foi aprovada apenas com os votos favoráveis do PSD e CDS.

Do amplo consenso, à desnecessária imprudência de “esticar a corda” ao limite não passou ainda um ano de Governo.


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