terça-feira, 22 de maio de 2012

O Teixeira e o Ferrão

Já tinha ouvido dizer, que a festa da final da Taça de Portugal é um ritual sem paralelo, no futebol nacional. Porém, só este domingo, tive a oportunidade de o confirmar. E, de facto, as sociedades necessitam de rituais para se perpetuarem.
Bem cedo, a mata envolvente ao estádio nacional do Jamor, ficou repleta de adeptos de ambas as equipas. Aos milhares, confluem em comemoração, de todos os pontos do país e do estrangeiro, famílias inteiras, adultos, jovens, amigos de sempre e adversários de outros combates.
No ar, pairava um sentimento, a emoção de que pertencemos a algo maior. A algo que nos ultrapassa e sobreviverá.
A tranquilidade da mata rapidamente se metamorfoseou em piqueniques rescendendo aos odores inebriantes da gastronomia portuguesa, acompanhados pelos cânticos dos adeptos e tendo como pano de fundo, um manto de um colorido imenso de cachecóis.
Foi à entrada do estádio que encontrei o Teixeira. Tinha vindo de Angola, – para onde fora mourejar – propositadamente para ver a sua Briosa. Falou-nos das imensas saudades que tinha da família, que residia em Portugal. Aqui, sim, respirava felicidade com a família, numa final da taça com o seu clube de sempre, a Académica de Coimbra.
Já dentro do estádio, ao intervalo, quando ganhávamos por um a zero ao Sporting, encontrei o Ferrão, adepto incondicional da Académica. Depois de um abraço emocionado, confessou-me com voz titubeante, que não se aguentaria até ao fim do jogo. Mas, aguentou.
O jogo terminou e a explosão de alegria tomou conta dos academistas. Após setenta e três anos, a taça foi entregue ao capitão da Académica, Pela Presidente da Assembleia da República. Uma mulher. Ocorre lembrar a letra da canção “Coimbra é uma mulher, só passa quem souber”. E, a AAC soube superar-se.
20 de Maio de 2012, passou a ser um dia a reter. Foi o dia em que a Académica ganhou a sua segunda Taça de Portugal. Porventura, terá sido o acontecimento mais relevante e simbólico para a cidade de Coimbra, desde que nasci.
Se não foi, foi certamente para o Teixeira e o Ferrão.

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