segunda-feira, 7 de maio de 2012

Promessas?


No espaço de um ano pudemos acompanhar três atos eleitorais em países membros da União Europeia e em que os titulares dos órgãos em funções se recandidatavam, a saber, em Portugal, Espanha e França.


Em todas as três eleições os “challengers” venceram. O voto dos eleitores determinou a mudança, legitimando-se democraticamente, pelo voto, novos protagonistas de promessas.


Em Portugal, Passos Coelho sucedeu a José Sócrates, em Espanha, Mariano Rajoy a José Luis Zapatero e neste fim-de-semana, em França, François Hollande destronou Nicolas Sarkozy.


Durante a campanha eleitoral, Hollande prometeu criar 60 mil empregos na educação, 150 mil para jovens, e em situações específicas, retroceder a idade da aposentação de 62 para 60 anos. O seu plano para o país prevê simultaneamente economizar 100 bilhões de euros em cinco anos de mandato, através do aumento de impostos sobre grandes empresas, os bancos e os mais ricos.


Ficamos à espera do cumprimento destas promessas.



Entretanto em Espanha, o governo espanhol, saído das eleições de Dezembro do ano passado, anunciou novas medidas de austeridade, em contracorrente, com as promessas feitas em campanha. Segundo a imprensa - a principal medida da reforma da saúde, com a qual o governo do país vizinho pretende poupar 7 mil milhões de euros,- os aposentados passarão a pagar os medicamentos de que antes estavam isentos.


O problema deste anúncio é que contradiz uma promessa eleitoral do presidente do governo, Mariano Rajoy, que em campanha eleitoral, apesar da crise, prometeu manter o poder de compra dos aposentados.


Em Portugal, também os atuais partidos do governo, durante a campanha eleitoral, dispuseram-se a prometer, sabendo que não poderiam cumprir, designadamente, não tocariam nos subsídios de férias e de Natal, não aumentariam os impostos.


Em Portugal como em Espanha, pudemos já constatar que as promessas eleitorais foram ilusões, tendo-se perdido esse importante capital de esperança que os eleitores tinham depositado na mudança.


O socialista Hollande, ainda no domingo, na noite da sua eleição, disse que: "Um novo arranque para a Europa, uma nova esperança para o mundo, é este o mandato que me confiaram".


Vamos esperar que assim seja, Portugal precisa, a Europa e o Mundo também precisam de quem cumpra!

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