No
espaço de um ano pudemos acompanhar três atos eleitorais em países membros da
União Europeia e em que os titulares dos órgãos em funções se recandidatavam, a
saber, em Portugal, Espanha e França.
Em
todas as três eleições os “challengers” venceram. O voto dos eleitores
determinou a mudança, legitimando-se democraticamente, pelo voto, novos
protagonistas de promessas.
Em
Portugal, Passos Coelho sucedeu a José Sócrates, em Espanha, Mariano Rajoy a
José Luis Zapatero e neste fim-de-semana, em França, François Hollande
destronou Nicolas Sarkozy.
Durante
a campanha eleitoral, Hollande prometeu criar 60 mil empregos na educação, 150
mil para jovens, e em situações específicas, retroceder
a idade da aposentação de 62 para 60 anos. O seu plano para o país prevê simultaneamente
economizar 100 bilhões de euros em cinco anos de mandato, através do aumento de
impostos sobre grandes empresas, os bancos e os mais ricos.
Ficamos
à espera do cumprimento destas promessas.
Entretanto
em Espanha, o governo espanhol, saído das eleições de Dezembro do ano passado, anunciou novas medidas de austeridade, em contracorrente, com as
promessas feitas em campanha. Segundo a imprensa - a principal medida
da reforma da saúde, com a qual o governo do país vizinho pretende poupar 7 mil
milhões de euros,- os aposentados passarão a pagar os medicamentos de que antes
estavam isentos.
O problema deste anúncio é que
contradiz uma promessa eleitoral do presidente do governo, Mariano Rajoy, que em
campanha eleitoral, apesar da crise, prometeu manter o poder de compra dos
aposentados.
Em Portugal, também os atuais partidos do governo,
durante a campanha eleitoral, dispuseram-se a prometer, sabendo que não poderiam
cumprir, designadamente, não tocariam nos subsídios de férias e de Natal, não
aumentariam os impostos.
Em
Portugal como em Espanha, pudemos já constatar que as promessas eleitorais
foram ilusões, tendo-se perdido esse importante capital de esperança que os
eleitores tinham depositado na mudança.
O socialista Hollande, ainda no domingo,
na noite da sua eleição, disse que: "Um novo arranque para a Europa, uma
nova esperança para o mundo, é este o mandato que me confiaram".
Vamos esperar que assim seja, Portugal precisa, a Europa e o Mundo
também precisam de quem cumpra!

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