terça-feira, 19 de junho de 2012

Um país em sofrimento




O relatório de Primavera de 2012 produzido pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), entidade do mundo universitário  que integra a Escola Nacional de Saúde Pública, o Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra e a Universidade de Évora, recentemente tornado público, tem um subtítulo que traduz o estado em que se encontra  Portugal: “Um país em sofrimento”.

A principal conclusão do relatório é a de que o “considerável esforço” do Ministério da Saúde para ter “nota positiva” nas avaliações periódicas da “troika”, centrado em medidas de “contenção de gastos”, teve como resultado uma maior dificuldade no acesso dos portugueses aos serviços de saúde. Os motivos apontados são o aumento significativo das taxas moderadoras (um verdadeiro copagamento de despesas de saúde), custos de transporte para as unidades de saúde suportado pelos doentes e um acréscimo de limitações no acesso aos medicamentos.

É um facto que, no sector da saúde, como noutros ministérios, o Governo tem-se esmerado em ir sempre mais além do que foi subscrito no acordo com a troika, deixando para plano secundário a adoção de medidas que aliviem as dificuldades com que se confronta a população. Só que no sector da saúde, tão sensível à vida dos portugueses, o relatório revela que as medidas de contenção de despesas não têm sido acompanhadas de mecanismos que minimizem os efeitos de uma mudança rápida  do sistema de saúde, com consequências muito danosas no acesso da população ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Se até agora, quando comparado com os demais países da OCDE, Portugal aparecia sempre bem classificado quanto à eficiência do seu sistema de saúde - tal devia-se ao contributo do SNS que nos últimos anos deu um enorme salto qualitativo -, estaremos a aproximarmo-nos de uma situação de avaliações sucessivas positivas da troika com a população cada vez mais desprotegida e em sofrimento.

No decorrer da última campanha eleitoral, os partidos apoiantes do atual Governo já nos tinham avisado de que iria haver menos Estado, mas, governar para menos saúde e mais sofrimento não será demais?

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