Sim,
Senhor Ministro! Este é o título de uma série televisiva inglesa, cómica,
exibida na década de 80. Nela se retrata a vida política britânica, com
sagacidade e humor.
A
série inicia-se, com a festa da vitória do partido político, que ganha as
eleições e forma um novo governo.
Vem
isto a propósito da politica portuguesa e, em particular, do(s) caso(s) Miguel
Relvas. No último ano, em todas as semanas, Miguel Relvas foi notícia. Começou,
com a ascensão do Dr. Pedro Passos Coelho a líder do PSD. Ainda Relvas não era Ministro,
já o consideravam o número dois do futuro Primeiro-Ministro.
Com
a nomeação do Primeiro-Ministro, como previsto, Miguel Relvas chega a Ministro,
sendo semanalmente apontado, como fundamental, na coordenação política do
Governo. Sim, o Senhor Ministro!
Sob
a alçada do seu Ministério criaram-se grupos de trabalho para tudo e mais
alguma coisa. Como é sabido, muitos grupos de trabalho significam muitas
pessoas especializadas, ou seja, muitos Drs. Estes, quando reuniam com Miguel
Relvas e lhes era solicitado o máximo empenho, respondiam invariavelmente: “Sim,
Senhor Ministro! “
Mais
recentemente, ficámos a saber, que o Senhor Ministro afirmou na Assembleia da
Republica não conhecer o Dr. Silva Carvalho - o espião que se queixa de ser
espiado pelos jornais – quando, afinal, se apurou que o conhecia. Conhecia, “Sim,
Senhor Ministro!”.
Da
espionagem à pressão sobre jornalistas foi um “biquinho”. Contudo, a Entidade
Reguladora da Comunicação Social, rapidamente, elaborou um relatório e, o Dr.
Carlos Magno anunciou, que o Senhor Ministro foi “ilibado”. Sim, Senhor
Ministro!
Nos
últimos dias, não existe televisão, jornal, correligionário, humorista ou até
vizinho que não fale da licenciatura de Miguel Relvas (invariavelmente iniciam
a conversa referindo-se ao senhor Ministro, apenas, como “o Relvas”, ou apenas
como Senhor Ministro).
Mas vendo
bem, falam do Senhor Ministro, Miguel Relvas, como sempre falaram. Apenas Ministro.
Só Miguel. Por vezes, “ o Relvas”.
Até
o Primeiro-Ministro, Dr. Passos Coelho, declarou solenemente, que a
licenciatura de Miguel Relvas se tratava de um “não assunto”.
Ora,
no meio de assuntos com importância tão relativa, - não dizer a verdade na
Assembleia da República ou o desrespeito pela liberdade de imprensa - não me
recordo de alguma vez tratarem o Senhor Ministro, por Senhor Dr., título, a que
tem direito.
E
perdoem-me a franqueza, isso é que é verdadeiramente importante. Pelo menos,
para Miguel Relvas. Não. Para o Senhor Dr. Miguel Relvas

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