Seria difícil fazer melhor do que
este Governo para aumentar o desemprego. Com as alterações ao Código do Trabalho que entraram ontem em
vigor, facilitam-se e embaratecem-se os despedimentos, aumenta-se o tempo de
trabalho e reduz-se o tempo de descanso dos trabalhadores. Menos postos de
trabalho. Antes já tinham congelado à socapa as reformas antecipadas. Menos postos
de trabalho. E agora ainda querem os beneficiários do Rendimento Social de
Inserção a trabalhar a baixo custo em tarefas onde podiam estar trabalhadores
contratados. Menos postos de trabalho.
Será que não percebem que não é a
desregulação e a redução de direitos laborais que nos traz mais investimento,
porque em tempo de globalização económica, nesse campeonato os países de terceiro mundo estarão sempre à nossa
frente. Não percebem que o que podem poupar no congelamento das reformas
antecipadas, tendencialmente, pagarão com mais desemprego jovem e menos novos contribuintes
para a segurança social, menos renovação dos recursos humanos, e mais desgaste
pessoal de quem está no fim de carreira. Não percebem que o trabalho compulsivo
e estigmatizante no RSI tem tudo menos a ver com inserção pessoal e reabilitação
profissional dos beneficiários e, ainda por cima, elimina a necessidade de
novos postos de trabalho com enquadramento laboral digno. Não percebem ou não interessa perceber?
Este Governo de Direita, por mais
que proclame intenções em sentido contrário, é uma verdadeira trituradora de
empregos. Os factos são indesmentíveis. Além do objetivo assumido de
empobrecimento dos portugueses, este Governo não só aceita como incentiva
objectivamente o desemprego em Portugal. Haverá quem considere por conveniência argumentativa que são "apenas" custos inevitáveis do ajustamento, mas o que está em causa é muito mais do que isso. O que se está a fazer com esta
política de promoção do desemprego é puro dinamite social que permitirá a alguns reestruturar o nosso modelo de organização social e económica, colocando as pessoas
e as famílias em situação de total subjugação, instabilidade e insegurança. E mais
disponíveis a fazer mais por menos. Muito menos. Sempre em nome de um mito neo-liberal
a que chamam competitividade, em que os mesmos continuam a enriquecer e os
mesmos continuam cada vez mais a empobrecer e a perder direitos.

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