No último mês, a comunicação social fez
eco de um número invulgar de notícias relacionadas com más práticas médicas.
Primeiro foi o caso da mega fraude ao
sistema nacional de saúde através da prescrição indevida de medicamentos, em seguida,
a alegada descoberta da existência médicos em acumulação ilegal de funções
públicas com funções privadas e finalmente, os salários excessivos auferidos por
alguns médicos no setor público.
Como se trata de casos ainda sob
investigação (pelo Ministério Publico e/ou pela Inspeção Geral das Atividades em Saúde – IGAS), fica
perceção de que existe na classe médica, forte suspeita de más práticas
generalizadas.
Ficámos ainda a saber que os tribunais demoram, em média, oito
anos, a proferir uma sentença nos casos de negligência médica.
No âmbito da responsabilidade criminal (ou civil) relativa àa prática
de atos médicos, cumpre à justiça averiguar se o ato médico em
causa, se mostra conforme à legis artis
vigente. Esta investigação é sempre complexa dado que suscita inúmeros
problemas na fase de recolha da prova, designadamente dificuldades na obtenção
do respectivo processo clínico e demais elementos probatórios, análise minuciosa
dos actos médicos por peritos (regra geral, outros médicos da mesma especialidade).
Embora possa haver a perceção que os
processos de negligência médica são mais demorados, a verdade é que a lentidão
da justiça é comum a todos os processos e não uma característica especifica dos
processos relacionados com atos médicos.
A coincidência destas notícias
negativas para a classe médica não será certamente alheia à recente greve dos
médicos em defesa do Serviço Nacional de Saúde. Assim, parece manifesto existir
interesses no enfraquecimento de uma classe prestigiada, ampliando-se exemplos
de uns tantos prevaricadores que de modo algum refletem a postura dos médicos.
Nestes conturbados tempos, os atos
médicos tenderão a ser analisados à lupa, tudo levando a crer que venhamos a
ter cada vez mais notícias “ampliadas” sobre negligência médica com o
consequente impacto negativo na classe e no Serviço Nacional de Saúde.

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