O
futebol português voltou às primeiras páginas do país. Duas transferências de
dois conhecidos jogadores de grandes clubes portugueses, para um clube russo,
graças a negócios que envolveram 100 milhões de euros, aliviaram as suas
dificuldades de tesouraria e deixaram os respetivos dirigentes numa certa
euforia. Entrou dinheiro nos cofres vazios, mas para os adeptos ficou a tristeza
por não poderem ver, semanalmente, dois dos seus ídolos.
Quase
ao mesmo tempo, surgiu a tristeza de Cristiano Ronaldo, o melhor jogador de
futebol do mundo. Não tendo o futebolista explicitado os motivos, os analistas
passaram a efabular explicações, mas parece que têm subjacente estar-se perante
uma certa angústia financeira. O craque tem, apenas, o sexto maior salário do
mundo.
Ainda
não estávamos refeitos de tais episódios e, eis que, imediatamente, antes do início
do jogo de futebol, Luxemburgo-Portugal, somos surpreendidos com uma
comunicação ao país do Senhor Primeiro Ministro. Pedro Passos Coelho, teatralmente,
como o fazem todos os Primeiros Ministros, quando falam ao país, achou ser esse
o momento certo para anunciar as novas medidas de austeridade.
Quando
se esperava que se iria, finalmente, cortar a direito nas “gorduras” do Estado,
das que são necessárias, somos confrontados com um aumento da taxa de segurança
social a cargo dos trabalhadores e com a diminuição da taxa a cargo das
entidades empregadores, ou seja, com mais reduções dos salários da grande
maioria dos portugueses e alívio das despesas dos empregadores.
Diferenças
à parte (sobrevivência dos portugueses e reino do futebol), há algo de comum nestes
dois episódios que agitam o país, a tristeza. A de Ronaldo e a dos Portugueses
atingidos com mais esta austeridade.
Contudo,
nestes tempos conturbados até a tristeza deve ser escrutinada. Uma pode ser
teatral (a de Ronaldo), mas a outra, que decorre de mais cortes nos já
depauperados salários dos portugueses é bem real. Mas, ao que parece, o pior é
que esta veio para ficar!

Sem comentários:
Enviar um comentário