terça-feira, 11 de setembro de 2012

Tristezas




O futebol português voltou às primeiras páginas do país. Duas transferências de dois conhecidos jogadores de grandes clubes portugueses, para um clube russo, graças a negócios que envolveram 100 milhões de euros, aliviaram as suas dificuldades de tesouraria e deixaram os respetivos dirigentes numa certa euforia. Entrou dinheiro nos cofres vazios, mas para os adeptos ficou a tristeza por não poderem ver, semanalmente, dois dos seus ídolos.

Quase ao mesmo tempo, surgiu a tristeza de Cristiano Ronaldo, o melhor jogador de futebol do mundo. Não tendo o futebolista explicitado os motivos, os analistas passaram a efabular explicações, mas parece que têm subjacente estar-se perante uma certa angústia financeira. O craque tem, apenas, o sexto maior salário do mundo.

Ainda não estávamos refeitos de tais episódios e, eis que, imediatamente, antes do início do jogo de futebol, Luxemburgo-Portugal, somos surpreendidos com uma comunicação ao país do Senhor Primeiro Ministro. Pedro Passos Coelho, teatralmente, como o fazem todos os Primeiros Ministros, quando falam ao país, achou ser esse o momento certo para anunciar as novas medidas de austeridade.

Quando se esperava que se iria, finalmente, cortar a direito nas “gorduras” do Estado, das que são necessárias, somos confrontados com um aumento da taxa de segurança social a cargo dos trabalhadores e com a diminuição da taxa a cargo das entidades empregadores, ou seja, com mais reduções dos salários da grande maioria dos portugueses e alívio das despesas dos empregadores.

Diferenças à parte (sobrevivência dos portugueses e  reino do futebol), há algo de comum nestes dois episódios que agitam o país, a tristeza. A de Ronaldo e a dos Portugueses atingidos com mais esta austeridade.

Contudo, nestes tempos conturbados até a tristeza deve ser escrutinada. Uma pode ser teatral (a de Ronaldo), mas a outra, que decorre de mais cortes nos já depauperados salários dos portugueses é bem real. Mas, ao que parece, o pior é que esta veio para ficar!


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