Nestes
tempos conturbados, mais do que nunca, as decisões dos agentes económicos –
sejam particulares ou empresas - devem ser cuidadosamente preparadas, uma vez que
mais tarde, ou mais cedo, poderão vir a ter repercussões patrimoniais significativas.
Numa época de crise, em que são menos os recursos financeiros disponíveis, uma
análise atempada pode evitar futuros dissabores.
Por
isso, torna-se cada vez mais necessário realizar uma análise de risco antes da
tomada de uma qualquer decisão.
Quem
já recorreu ao crédito bancário sabe que lhe foi exigido um conjunto variado de
informação, como qual o seu rendimento e origem do mesmo, descrição do
património mobiliário e imobiliário e existência de outros créditos, elementos
que permitem à entidade bancária ajuizar sobre os pontos fortes e fracos do seu
cliente e assim avaliar o grau de risco subjacente à decisão do empréstimo que
vai conceder.
Da
mesma forma, quem recorre a Tribunal deve previamente proceder a uma análise de
risco. De fato com a justiça cada vez mais cara e os Tribunais cada vez mais
sobrecarregados, com processos judicias que se arrastam anos a fio e sem que,
se veja da parte do Governo, qualquer medida tendente a por fim a esta situação, a opção
pelo litígio deve ser, cada vez mais, bem ponderada. Para isso, uma análise
cuidada dos interesses envolvidos, perspetivando futuros ganhos ou perdas, da
prova que venha a ser necessária produzir e uma pesquisa de decisões judiciais
em situações semelhantes, pode tornar a decisão do cidadão mais acertada.
A análise
de risco deve ser efetuada preventivamente mesmo numa fase negocial. Assim, se um
cidadão está para celebrar um contrato, importa-lhe recolher o maior número de
informações sobre a outra parte, designadamente sobre a existência de dívidas
fiscais, de ações judiciais pendentes,
de qual o seu património, pois estas
informações estão hoje disponíveis à distância de um clique.
Nestes
tempos de crise, mesmo nas questões mais simples e de menor valor, uma análise
de risco pode fazer toda a diferença quanto a resultados. Mas, sobretudo, deve ter-se
presente que mais tarde, pode ser tarde demais.

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