Numa
recente visita a Cabo Verde, tive oportunidade de observar pequenos
estabelecimentos comerciais tendo pintado nas paredes da fachada principal o
slogan: “Ten-de-Tudo”.
Num
país em que, para além da enorme simpatia das pessoas, são ainda muitíssimas as
carências, achei piada à expressão, tendo constatado que se tratava de pequenas
mercearias onde há um pouco de quase tudo.
De
regresso a Portugal, logo me apercebi que estávamos em período de nova visita
da Troika, para a sétima avaliação. Não sabemos, ao certo quais os critérios
usados nas anteriores avaliações, mas, existe a perceção generalizada de que
este Governo não acerta uma!
Se
dúvidas houvesse, ainda a Troika vinha a caminho e já o Ministro das Finanças,
Vitor Gaspar, assumia mais um erro nas suas previsões. Afinal, a recessão não vai ser a que previra, mas mais 1%. Ou seja,
Vitor Gaspar que falhara, até então, em todas as previsões: défice, dívida,
PIB, exportações e desemprego, falhava mais uma vez, mas desta feita só para o
dobro!
Está visto que em matéria de previsões, aqui também “ten-de-tudo”,
e nem o infalível Doutor Gaspar acerta uma.
Entretanto, quase em simultâneo, a Presidência da República, cujo
locatário, Aníbal Cavaco Silva, “raramente se engana e tem dúvidas”, informa o
Parlamento - e o Povo-, que a Lei que estabelece a limitação de mandatos dos
autarcas, que para muitos entendidos impede recandidaturas a Presidente de
Câmara - dos que exercem essa função há três mandatos sucessivos - , tinha
saído do Parlamento com um “da” e sido publicada em Diário da República com um
“de”.
Pela forma como foi passada a mensagem para a opinião pública,
parece que alguém nos quis levar a crer que a troca de um “da” por um “de” faz
toda a diferença, o que estará longe de ser uma interpretação pacífica. Num
país com tantos profissionais da política por “m2”, como é que tendo a lei sido
publicada há cerca de 8 anos, só agora alguém descobriu tal lapso?
Será caso para afirmar: Bendito Portugal, um país onde na vida
política, “Ten-de-tudo”, um pouco!

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