Desde que vários países da União Europeia passaram a estar sob a
tutela de Instituições Financeiras Internacionais, e são já vários, uma das
frases utilizadas por alguma inteligência da política caseira, é que “Portugal
não é Grécia”.
De
fato, sendo Portugal um país pobre e, até ver de brandos costumes, com aquela
expressão quererão certamente evitar o contágio de outros costumes,
designadamente do empobrecido povo grego, aquele que mais violentamente tem
protestado contra as medidas de austeridade que lhe foram impostas.
Em Itália, país que tem assento no G20, grupo das maiores
economias do Mundo, o povo foi recentemente às urnas e note-se, um em cada 4
italianos votou num comediante de nome Beppe Grillo, um personagem do “anti-sistema”.
O sistema, relembra-se, é a democracia.
Por cá, tivemos um 15
de Setembro, onde milhares e milhares de pessoas, votantes e não votantes dos
diversos quadrantes políticos, saíram à rua em todas as capitais de distrito, para
«acima de tudo, pretendiam ser ouvidas». Seguiram-se várias réplicas e no
passado dia 2 de Março, nova multidão voltou a varrer o país.
Portugal,
que não é a Grécia nem é a Itália, nem a Irlanda, etc, vem insurgindo-se, à sua
maneira, só por propósitos ínvios se desvaloriza a dimensão do protesto.
Lá
para o mês de Outubro, teremos eleições autárquicas, que têm a particularidade
de além dos partidos tradicionais, permitirem que se apresentem a sufrágio,
movimentos de cidadãos. Estes movimentos que já deram um sinal de vida nas
últimas eleições autárquicas, aparecem mais revigorados em duas das mais
importantes capitais de distrito do nosso país. No Porto, onde Rui Moreira lidera
um movimento abrangente e em Coimbra, onde, tudo o indica será José Manuel Pureza
a encabeçar o Movimento Cidadãos por Coimbra.
Nestes
movimentos, figuram cidadãos que têm sido votantes de todos os partidos
políticos e sem abstencionistas, uns e outros irmanados na participação cívica,
melhor na coisa pública e na busca de soluções governativas que melhor sirvam o
destino dos munícipes.
Para
uns, o resultado eleitoral que conseguirem, será uma verdadeira surpresa. Para
outros, será a prova de que tudo está em acelerada mudança.
As opções já assumidas por partidos, e
seus militantes, por cidadãos que vêm integrando esses movimentos, embora não
seja certo, até poderá vir a dificultar uma solução de mudança, tão necessária
ao país.
Contudo, o que se encontra à vista de
todos é que em Portugal, país de brandos costumes, os cidadãos estão e estarão
nas ruas e brevemente irão a votos, através de movimentos de cidadãos, mais
atentos e participativos que nunca.
Um despertar que esperemos, certamente terá
o condão de reforçar, ou pelo menos “espevitar”, a nossa democracia.

Sem comentários:
Enviar um comentário