terça-feira, 12 de março de 2013

Despertar



Desde que vários países da União Europeia passaram a estar sob a tutela de Instituições Financeiras Internacionais, e são já vários, uma das frases utilizadas por alguma inteligência da política caseira, é que “Portugal não é Grécia”.

De fato, sendo Portugal um país pobre e, até ver de brandos costumes, com aquela expressão quererão certamente evitar o contágio de outros costumes, designadamente do empobrecido povo grego, aquele que mais violentamente tem protestado contra as medidas de austeridade que lhe foram impostas.

Em Itália, país que tem assento no G20, grupo das maiores economias do Mundo, o povo foi recentemente às urnas e note-se, um em cada 4 italianos votou num comediante de nome Beppe Grillo, um personagem do “anti-sistema”. O sistema, relembra-se, é a democracia.

Por cá, tivemos um 15 de Setembro, onde milhares e milhares de pessoas, votantes e não votantes dos diversos quadrantes políticos, saíram à rua em todas as capitais de distrito, para «acima de tudo, pretendiam ser ouvidas». Seguiram-se várias réplicas e no passado dia 2 de Março, nova multidão voltou a varrer o país.

Portugal, que não é a Grécia nem é a Itália, nem a Irlanda, etc, vem insurgindo-se, à sua maneira, só por propósitos ínvios se desvaloriza a dimensão do protesto.

Lá para o mês de Outubro, teremos eleições autárquicas, que têm a particularidade de além dos partidos tradicionais, permitirem que se apresentem a sufrágio, movimentos de cidadãos. Estes movimentos que já deram um sinal de vida nas últimas eleições autárquicas, aparecem mais revigorados em duas das mais importantes capitais de distrito do nosso país. No Porto, onde Rui Moreira lidera um movimento abrangente e em Coimbra, onde, tudo o indica será José Manuel Pureza a encabeçar o Movimento Cidadãos por Coimbra.

Nestes movimentos, figuram cidadãos que têm sido votantes de todos os partidos políticos e sem abstencionistas, uns e outros irmanados na participação cívica, melhor na coisa pública e na busca de soluções governativas que melhor sirvam o destino dos munícipes.

Para uns, o resultado eleitoral que conseguirem, será uma verdadeira surpresa. Para outros, será a prova de que tudo está em acelerada mudança.

As opções já assumidas por partidos, e seus militantes, por cidadãos que vêm integrando esses movimentos, embora não seja certo, até poderá vir a dificultar uma solução de mudança, tão necessária ao país.

Contudo, o que se encontra à vista de todos é que em Portugal, país de brandos costumes, os cidadãos estão e estarão nas ruas e brevemente irão a votos, através de movimentos de cidadãos, mais atentos e participativos que nunca.

Um despertar que esperemos, certamente terá o condão de reforçar, ou pelo menos “espevitar”, a nossa democracia.








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