Na
história constitucional portuguesa do pós 25 de Abril, são vários os exemplos
de governos que não chegaram ao fim da legislatura.
Os mais
recentes foram o governo de Pedro Santana Lopes, Primeiro-ministro do XVI
Governo Constitucional que viu o então Presidente da República Jorge Sampaio
dissolver a Assembleia da República e em consequência provocar a demissão do
Governo e, mais recentemente, o Primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou a
sua demissão, tendo o Presidente da Republica Aníbal Cavaco Silva dissolvido o
Parlamento.
Em
ambos os casos, as eleições que se seguiram deram origem a uma Assembleia da
República de composição partidária diferente da antecedente, o que de algum
modo confirmou as razões que enformaram a dissolução.
No último
sábado, a comissão política de um dos partidos que integra o atual governo, o
CDS/PP, deixou no ar a necessidade de uma rápida remodelação governamental, ou
seja, o CDS/PP estando no Governo, intentou transmitir a ideia de que não está
no Governo que integra.
Na
revista do Expresso deste fim-de-semana, Miguel Veiga, um dos notáveis do PSD –
e também um grande advogado e personalidade maior da nossa democracia – afirmou,
sem cerimónias, Passos Coelho ter sido feito Primeiro-ministro por “… uns
tipos do piorio, que existem em Portugal. Um é Miguel Relvas e outro é Marco
António”. Diz ainda que não encontra um único social-democrata no Governo e
que “… estes tipos não têm convicções.
Simplesmente não têm uma ética de convicções e, portanto, não têm uma ética de
responsabilidade. Querem o poder pelo poder”.
Não
deve ter sido fácil a Miguel Veiga produzir tais afirmações, mas dizê-lo da
forma como o fez, revela a grande instabilidade que graça no PSD.
Depois
dos protestos de 15 de Setembro e de 2 de Março, onde milhares e milhares de
pessoas, votantes e não votantes dos diversos quadrantes políticos, saíram à
rua em todas as capitais de distrito, as contundentes críticas de militantes do
PSD e a cruel análise do CDS/PP, demonstram, per si, a necessidade de legitimar
o poder.
O
Governo, encurralado por si próprio e pelos partidos que o amparam, parece aguardar,
como moribundo, estocada do Tribunal Constitucional.
O
Presidente da República, encurralado pelas suas afirmações, pelos partidos da
oposição e, mais recentemente, pelos próprios partidos que suportam o governo,
aguarda também o Acórdão do Tribunal para tomada de decisão quanto à dissolução
da Assembleia da República.
Valha-nos
que no calendário eleitoral teremos já em Outubro eleições autárquicas, pelo
que as legislativas poderão ser realizadas em simultâneo, poupando-se recursos
ao país.

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