À
semelhança do que acontece no país, o Município de Coimbra é também governado
por uma coligação entre o PSD e o CDS/PP. Infelizmente, as semelhanças não se
ficam por aqui.
No
Município de Coimbra, a coligação PSD mais CDS/PP, tem a maioria absoluta na
Vereação, mas as relações entre os dois partidos são de mera conveniência. O
Presidente da Câmara (PSD) menospreza o vereador do CDS/PP e este, responde na
mesma moeda, ausentando-se da sala no momento da votação do orçamento.
Também
no país, cada vez que Passos Coelho anuncia novos cortes, logo o líder do outro
partido de coligação, Paulo Portas, se demarca nas televisões e em horário
nobre (“prime time”).
Não
é só face ao parceiro de coligação que em Coimbra, o PSD tem duas caras. Assim,
o Presidente de Câmara defende publicamente o projeto do metro ligeiro de
superfície contra os cortes deste Governo, mas dois anos volvidos, nem um
centímetro temos de carril, não obstante ser um antigo Vice-presidente da
Câmara, militante do PSD, que continua a liderar o projeto.
O Presidente
da Assembleia Municipal, outro distinto militante do PSD diz-se contra a extinção
das freguesias de Coimbra, mas o mesmo aceitou presidir à Unidade Técnica para
a Reorganização Administrativa do Território que emitiu parecer favorável à extinção
de parte das freguesias de Coimbra.
No
Município de Coimbra, o Presidente da Câmara é contra a nova lei das águas que
o Governo pretende aprovar, mas tem na Empresa Águas de Coimbra, como
presidente do conselho de administração, um dirigente local do seu partido, acérrimo
defensor das políticas do Governo.
Temos
em Coimbra um Presidente de Câmara que usa e abusa do truque de fingir que está
contra tudo o que venha do governo do seu partido, numa atitude dissimulada, como
de resto, no país, o seu parceiro de coligação CDS/PP faz em relação ao Governo.
Só
que, para além de Barbosa de Melo não ter habilidade para imitar o dissimulado Paulo
Portas, os conimbricenses estão a pagar em dose dupla os custos da dissimulação
que decorrem da ação ou omissão do Presidente da Câmara e da ação do Governo
que estão a afetar todos os portugueses.

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