Um dos
traços observáveis na campanha eleitoral para as eleições autárquicas que se
vão realizar no próximo Domingo, tem sido, sem dúvida, a manifesta falta de
entusiasmo dos eleitores face àqueles que os poderão vir a representar na
condução do destino da localidade onde vivem, seja concelho ou freguesia, nos
próximos quatro anos.
Contudo,
face à importância das nossas opções e à necessidade de serem adotadas certas
políticas de longo prazo, o cidadão deveria olhar com mais atenção para a
motivação subjacente a todos aqueles que se disponibilizam a ser Presidentes de
Câmara e para os respetivos programas. E depois decidir, ou seja, votar. É que fazer
escolhas e tomar decisões são a essência da política.
Numa
altura de grandes incertezas quanto ao nosso futuro, - desde logo, porque as
políticas municipais hoje estão largamente dependentes das políticas de
financiamento europeu e existe uma grande incerteza quanto ao futuro da União
Europeia - os nossos representantes deveriam estar disponíveis para
consensualizar algumas matérias com implicações nas nossas vidas a prazo.
Uma
delas é a política quanto ao uso dos solos. A recente bolha imobiliária, que serviu
os bancos, empresas e poder municipal, pouco beneficiou os cidadãos. Os municípios
não são só estradas, “etars”, rotundas e passeios, são também jardins, mercados
municipais e solos agrícolas vacantes. E é preciso usar estes bens a favor de
todos. Hoje, já ninguém terá dúvidas que, no passado recente, houve excessos no
uso dos solos e que a preservação futura do território é fundamental.
Outra
seria a ponderação do impacto das alterações climáticas, que se perspetivam,
para os próximos anos, na vida das
cidades e a que não deveria ser alheia a
obtenção de um amplo consenso. É que, importará adotar, desde já, políticas
estáveis de preservação do território, que minorem ou acautelem consequências
de alguma gravidade, decorrentes de mudanças climáticas.
Estes
dois exemplos servem apenas para sublinhar a necessidade de serem efetuados planos
a prazo e de os consensualizar. Hoje, o desafio estratégico será o de preparar
as urbes para o século XXI, olhando a realidade de frente, mesmo quando ela não
nos pareça risonha.

Sem comentários:
Enviar um comentário