terça-feira, 24 de setembro de 2013

Aventureiros autárquicos




Um dos traços observáveis na campanha eleitoral para as eleições autárquicas que se vão realizar no próximo Domingo, tem sido, sem dúvida, a manifesta falta de entusiasmo dos eleitores face àqueles que os poderão vir a representar na condução do destino da localidade onde vivem, seja concelho ou freguesia, nos próximos quatro anos.

Contudo, face à importância das nossas opções e à necessidade de serem adotadas certas políticas de longo prazo, o cidadão deveria olhar com mais atenção para a motivação subjacente a todos aqueles que se disponibilizam a ser Presidentes de Câmara e para os respetivos programas. E depois decidir, ou seja, votar. É que fazer escolhas e tomar decisões são a essência da política.

Numa altura de grandes incertezas quanto ao nosso futuro, - desde logo, porque as políticas municipais hoje estão largamente dependentes das políticas de financiamento europeu e existe uma grande incerteza quanto ao futuro da União Europeia - os nossos representantes deveriam estar disponíveis para consensualizar algumas matérias com implicações nas nossas vidas a prazo.

Uma delas é a política quanto ao uso dos solos. A recente bolha imobiliária, que serviu os bancos, empresas e poder municipal, pouco beneficiou os cidadãos. Os municípios não são só estradas, “etars”, rotundas e passeios, são também jardins, mercados municipais e solos agrícolas vacantes. E é preciso usar estes bens a favor de todos. Hoje, já ninguém terá dúvidas que, no passado recente, houve excessos no uso dos solos e que a preservação futura do território é fundamental.

Outra seria a ponderação do impacto das alterações climáticas, que se perspetivam, para os próximos anos,  na vida das cidades e a que  não deveria ser alheia a obtenção de um amplo consenso. É que, importará adotar, desde já, políticas estáveis de preservação do território, que minorem ou acautelem consequências de alguma gravidade, decorrentes de mudanças climáticas.

Estes dois exemplos servem apenas para sublinhar a necessidade de serem efetuados planos a prazo e de os consensualizar. Hoje, o desafio estratégico será o de preparar as urbes para o século XXI, olhando a realidade de frente, mesmo quando ela não nos pareça risonha.
 
Ora, o que irá distinguir, no próximo mandato autárquico, os aventureiros dos políticos bem-intencionados, vai ser, decerto, a sensibilidade e perspicácia para esse desafio.

Sem comentários: