O
reconhecimento de um erro é sempre de relevar para, pelo menos, evitar que o
voltemos a cometer. Quando esse erro tem implicações na vida de milhares de
cidadãos, a assunção da responsabilidade do erro cometido, importa ser
registada. Foi isso que, num tom algo vago, sobressai da longa entrevista que o
anterior primeiro-ministro, José Sócrates, deu ao Jornal Expresso. Esse erro, ocorreu,
quando em 2009, ganhou as eleições legislativas, sem maioria absoluta, acabando
por não ter feito uma “grande coligação” que permitisse a governabilidade do
país. Acresce que, esse erro foi tanto maior, quanto Sócrates não ter efetuado as
diligências necessárias para chegar a essa coligação.
As
consequências são bem conhecidas. Bem à portuguesa, toda a oposição passou a
inviabilizar as propostas do Governo, aprovando outras, da sua autoria, que
implicaram maior despesa pública (a Lei das Finanças Regionais, então aprovada,
é disso um bom exemplo). O culminar da ingovernabilidade ocorreu, quando toda a
oposição inviabilizou o PEC IV, o que conduziu à entrada da troika nos assuntos
da governação.
Em
2011, já sob assistência internacional, realizaram-se as eleições legislativas,
tendo Passos Coelho e Paulo Portas passado a assumir a liderança do país.
Durante
estes dois anos, o Governo atual mais não fez do que tentar imputar ao anterior
Governo de José Sócrates a responsabilidade pela situação financeira do país,
ao mesmo tempo que decidia ir para além da troika, impondo aos portugueses uma severa
austeridade.
A
meio do percurso, depois de todas as medidas de austeridade terem falhado,
Vítor Gaspar abandonou o barco e Paulo Portas encenou uma fuga.
Hoje,
com a ajuda do Presidente da República, Paulo Portas e Passos Coelho tentam
enredar o maior partido da oposição (com quem nunca tentaram consensualizar reformas
fundamentais para o país) nas responsabilidades da governação.
Ora,
tal revela-se inaceitável, em virtude do PSD e o PP, que sustentam o atual
Governo, não terem assumido o seu erro capital (ou seja, reconhecerem, que
estavam errados, quando inviabilizaram um acordo, por duas vezes - aquando do
chumbo do PEC IV e, no inicio de funções do atual Governo), com o Partido
Socialista.
Na
Alemanha, país da União Europeia, que se encontra no auge económico dos últimos
20 anos, Angela Merkel obteve, recentemente, a maior vitória eleitoral de
sempre. Contudo, prevendo, dificuldades de governação, por inexistência de
maioria absoluta, nem por um segundo, hesitou fazer uma grande coligação com o
maior partido da oposição (SPD),que tinha acabado de ser derrotado.
Fica
assim à vista, as grandes diferenças de lideranças quanto à governação de um
país. De um lado, “Deutschland uber alles” (a Alemanha acima de tudo). Por cá, a
opção é pelo “cozido à portuguesa”.

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