Na semana
em que a Assembleia da República deu início à discussão do Orçamento de Estado
para 2014, Paulo Portas, Vice-Primeiro Ministro e Presidente do partido que já
foi do “táxi” e agora se autointitula do “penta”, apresentou um documento insuflado,
de não mais de uma centena de páginas, a que chamou “Guião para a reforma do
Estado”.
Trata-se
de um documento, que nem sequer foi dado, previamente, a conhecer aos deputados
do PSD - o maior partido da coligação, cujos “barões” não se inibiram de, no
imediato, fazerem comentários nada abonatórios sobre o mesmo. Ao ser apresentado,
quando falta menos de metade da legislatura, sem calendarização da implementação
das pretensas melhorias a introduzir na atual organização do Estado, o Guião terá,
como primeiro e provavelmente único propósito, a dissimulação das medidas de
austeridade constantes do Orçamento de Estado, para 2014.
Contudo,
tal “Guião” é apresentado com inusitada pompa e com a aparente pretensão de trazer
para a liça o maior partido da oposição.
Mas,
será que alguém ainda acredita na “boa-fé” de guionistas, que nos prometeram
não aumentar impostos, não reduzir salários e não encerrar serviços públicos
essenciais; de guionistas, que ano após ano, prometem a recuperação económica,
que não vemos chegar, que falam de exigência, mas durante dois anos tiveram em
funções o “Magnífico” Ministro Relvas, que fez a licenciatura em menos de um
ano?!
Este
Guião não passa, pois, de mais um ato dissimulado deste Governo, uma dissimulação
que só engana quem quer, e que, para este Governo é uma prática irreformável.
É
certo que, um próximo Governo, decorrente de novas eleições, vai mesmo ter de
fazer a reforma do Estado, uma reforma que importa venha a ter um apoio
alargado dos partidos. Resta saber, quando e de que forma o maior partido da
oposição se disporá a avançar para a sua concretização.

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