terça-feira, 5 de novembro de 2013

Irreformável


 
Na semana em que a Assembleia da República deu início à discussão do Orçamento de Estado para 2014, Paulo Portas, Vice-Primeiro Ministro e Presidente do partido que já foi do “táxi” e agora se autointitula do “penta”, apresentou um documento insuflado, de não mais de uma centena de páginas, a que chamou “Guião para a reforma do Estado”.

Trata-se de um documento, que nem sequer foi dado, previamente, a conhecer aos deputados do PSD - o maior partido da coligação, cujos “barões” não se inibiram de, no imediato, fazerem comentários nada abonatórios sobre o mesmo. Ao ser apresentado, quando falta menos de metade da legislatura, sem calendarização da implementação das pretensas melhorias a introduzir na atual organização do Estado, o Guião terá, como primeiro e provavelmente único propósito, a dissimulação das medidas de austeridade constantes do Orçamento de Estado, para 2014.  

Contudo, tal “Guião” é apresentado com inusitada pompa e com a aparente pretensão de trazer para a liça o maior partido da oposição. 

Mas, será que alguém ainda acredita na “boa-fé” de guionistas, que nos prometeram não aumentar impostos, não reduzir salários e não encerrar serviços públicos essenciais; de guionistas, que ano após ano, prometem a recuperação económica, que não vemos chegar, que falam de exigência, mas durante dois anos tiveram em funções o “Magnífico” Ministro Relvas, que fez a licenciatura em menos de um ano?!

Este Guião não passa, pois, de mais um ato dissimulado deste Governo, uma dissimulação que só engana quem quer, e que, para este Governo é uma prática irreformável.

É certo que, um próximo Governo, decorrente de novas eleições, vai mesmo ter de fazer a reforma do Estado, uma reforma que importa venha a ter um apoio alargado dos partidos. Resta saber, quando e de que forma o maior partido da oposição se disporá a avançar para a sua concretização.

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