Domingo,
4 de Maio de 2014, foi a data escolhida pelo Governo para anunciar a sua opção
por uma “saída limpa” da polícia (troika) do país. Um governo, que tanto se
preocupa com a comunicação (pena é que tenha acabado com os “briefings” informais
com os jornalistas que tanto nos divertiam) e com as eleições, aquele anúncio
só pode estar relacionada com o facto de termos eleições para o Parlamento
Europeu, no espaço de 3 semanas.
Ignora-se
quem batizou a “saída” da troika do nosso país com a designação de “limpa”, mas
a verdade é que para além da troika ir continuar a vigiar as contas do país, se
proclama que os sacrifícios pedidos aos portugueses são para vigorar por vinte
anos. Com um número tão elevado de desempregados, aliás como nunca antes houve
no nosso país, a que acresce os sucessivos aumentos de impostos e uma enorme
dívida pública, o aviso de que, vai haver uma saída limpa, soa a falsete.
É um
fato que vivemos três anos cinzentos, de enormes carências para a maioria das
famílias e que não existem indícios que o estado de sofrimento esteja para acabar.
O estado social, como o conhecíamos até há pouco tempo, mudou para pior, a
prometida reforma do Estado não passou de propaganda e da Justiça à Saúde,
passando pela Educação, não há sequer sinais de melhorias. Anotam-se algumas
medidas de combate à fraude e evasão fiscal, não obstante a desmotivação que
afecta os funcionários que integram a Administração Fiscal, para já não falar
de outras medidas controversas, como o sorteio de veículos aos contribuintes
que nas suas compras ou aquisição de serviços exijam facturas, o que é muito
pouco face aos sacrifícios que foram exigidos à maioria dos portugueses.
Avizinhando-se
as eleições para o Parlamento Europeu, não admira o aproveitamento feito pelo
Governo, em jeito de pré-campanha eleitoral, com a pomposa, mas falsa,
designação de “saída limpa”, pretendendo assim trazer algum ânimo a um defunto
(que as sondagens não deixam de confirmar). O problema está na dificuldade em acreditar-se
numa única frase dos nossos actuais governantes. É que estamos todos bem
lembrados das promessas proferidas e não cumpridas, entre as quais ficou
célebre a demissão irrevogável do Ministro Paulo Portas, por cumprir.
No
meio de tantas tropelias contra os portugueses (sempre em nome da sua redenção)
e de tantas inverdades, em que prevaleceu a sujidade politica, anuncia-se agora
uma “saída limpa”, a querer mascarar o que foram os três anos de uma acção
governativa tão nefasta. Está visto, tal tirada sonante não passa de um mero jargão
com fins eleitoralistas.

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