Portugal foi abalado por uma tempestade sem fim à vista. Enormes
carências abateram-se sobre os tectos das casas da maioria das famílias, sucederam-se
as restrições e escancaram-se as portas da pobreza, num total desrespeito pela sua
dignidade. E o mais grave, é que não existem indícios que o seu estado de
sofrimento esteja para terminar.
Neste quadro devastador, três bancos portugueses foram notícia
pelos piores motivos.
O BPN de Oliveira e Costa foi “apanhado” num número infindável de
tropelias - crimes de
fraude fiscal e branqueamento de capitais - que terá
custado ao Estado (a nós, os contribuintes) cerca de cinco mil milhões de
euros!
O BCP, que em tempos fora de Jardim Gonçalves,
não lhe ficou atrás; foram detetadas um conjunto de operações como a
constituição de “offshores” associadas a compras e vendas de ações, de
legalidade mais do que duvidosa.
Nos últimos dias, a “queda de Ricardo Salgado” e do Grupo Espirito
Santo (GES) são destaque nacional e internacional. Neste último caso, ainda se desconhece
o tamanho do “buraco”, bem como a dimensão dos prejuízos daqueles que confiaram
no GES. Contudo, por aquilo que já é sabido – ocultação de contas, má gestão e
comportamentos eticamente censuráveis – será de temer o pior.
Temos sérios motivos para suspeitar que estes casos só vieram a
público - com a amplitude que hoje conhecemos - porque vivemos numa sociedade muito
mais informada, graças às novas tecnologias de informação. Porventura, nunca
saberemos o que realmente terá sido feito neste país, por gestores
“credenciados”, nos idos anos 80 e 90, em que a pressão mediática era menor e o
acesso à informação diminuto.
Quase de uma assentada, só estes três episódios irão custar ao
Estado milhares de milhões de euros.
Pelo que ouvimos e lemos, sabemos hoje que houve muitos gestores
que mentiram, que grandes e pequenas empresas faliram, arrastando milhares de
portugueses para a miséria.
Até vermos, tudo foi feito, com a maior das impunidades.

