quinta-feira, 17 de julho de 2014

Impunidades


 
Portugal foi abalado por uma tempestade sem fim à vista. Enormes carências abateram-se sobre os tectos das casas da maioria das famílias, sucederam-se as restrições e escancaram-se as portas da pobreza, num total desrespeito pela sua dignidade. E o mais grave, é que não existem indícios que o seu estado de sofrimento esteja para terminar.

Neste quadro devastador, três bancos portugueses foram notícia pelos piores motivos.

O BPN de Oliveira e Costa foi “apanhado” num número infindável de tropelias - crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais - que terá custado ao Estado (a nós, os contribuintes) cerca de cinco mil milhões de euros!

O BCP, que em tempos fora de Jardim Gonçalves, não lhe ficou atrás; foram detetadas um conjunto de operações como a constituição de “offshores” associadas a compras e vendas de ações, de legalidade mais do que duvidosa.

Nos últimos dias, a “queda de Ricardo Salgado” e do Grupo Espirito Santo (GES) são destaque nacional e internacional. Neste último caso, ainda se desconhece o tamanho do “buraco”, bem como a dimensão dos prejuízos daqueles que confiaram no GES. Contudo, por aquilo que já é sabido – ocultação de contas, má gestão e comportamentos eticamente censuráveis – será de temer o pior.

Temos sérios motivos para suspeitar que estes casos só vieram a público - com a amplitude que hoje conhecemos - porque vivemos numa sociedade muito mais informada, graças às novas tecnologias de informação. Porventura, nunca saberemos o que realmente terá sido feito neste país, por gestores “credenciados”, nos idos anos 80 e 90, em que a pressão mediática era menor e o acesso à informação diminuto.

Quase de uma assentada, só estes três episódios irão custar ao Estado milhares de milhões de euros. 

Pelo que ouvimos e lemos, sabemos hoje que houve muitos gestores que mentiram, que grandes e pequenas empresas faliram, arrastando milhares de portugueses para a miséria.

Até vermos, tudo foi feito, com a maior das impunidades.

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