O
Verão de 2014 fica marcado pela queda de mais um banco, não de um banco
qualquer, mas do banco que era conhecido como “o dono disto tudo”, ou seja do
país, de Portugal. Esse banco era o velho BES.
De
fato, no primeiro domingo de agosto, troika, governo, oposição, reguladores,
justiça, comunicação social e cidadãos viram este banco implodir. Na operação
levada a cabo pelo Banco de Portugal com a anuência do Governo e da
Administração de Vítor Bento em funções no velho BES, a parte dos destroços, supostamente
a dos activos bons, foi reunida no Novo Banco e a outra parte, a dos activos
tóxicos, no Bad Bank, que ficou com a designação de BES, tudo em nome da
protecção dos depositantes e dos contribuintes.
Para
viabilizar o Novo Banco foram injectados 4,9 mil milhões que estavam à “guarda”
do governo com encargos do contribuinte.
Pelo
que ainda há pouco nos diziam, convictamente, o Primeiro-Ministro, a Ministra
das Finanças e o Governador do Banco de Portugal, o velho BES estava de boa saúde
e para durar, mas de um dia para o outro, vimos que afinal todos estes
responsáveis tinham escondido a realidade ou então falavam do que, simplesmente,
desconheciam.
Vamos
acreditar em quê e em quem?
Querem-nos
fazer crer que a queda do BES, sem mais, era um grave problema para o país e
que por isso, tinham de fazer qualquer coisa, com a urgência própria de quem
estivera longamente adormecido!
Num ápice,
o governo “disponibilizou” uns milhares de milhões e o velho BES deu lugar ao “Novo”
Banco. Com o sistema bancário em crise, para quê um novo banco?
Em
tempos de enormes sacrifícios para os portugueses, com cortes de salários, pensões,
prestações sociais e de elevado desemprego, disponibilizaram-se milhares de
milhões de euros para a criação de um “Novo Banco”.
“Esta era a melhor solução para os
contribuintes e para o Estado português”, afirmaram perentoriamente a troika, o
governo e reguladores, no que são secundados pelos comentadores de fim de
semana que nos entram pela casa dentro após os telejornais.
Os
que agora nos vêm tranquilizar, não são os mesmos que dizem ignorar o que se
passava no BES velho?
Vamos
acreditar em quem e em quê?
No
decorrer da semana passada, o Senhor Governador do Banco de Portugal veio declarar
que “estivemos em cima do fio da navalha e saímos bem desta
situação”. Será que saímos mesmo bem?
Com
o país “no fio da navalha”, como foi possível que o Primeiro-ministro e o
Presidente da República se tivessem mantido, ao sol e “a banhos” no Algarve, a
assistirem ao desenlace … à distância!

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