No
próximo dia 28 de Setembro, domingo, o Partido Socialista (PS) vai escolher o
seu candidato a Primeiro-ministro (caso venha a merecer a confiança dos
portugueses para constituir Governo, nas próximos eleições legislativas que
terão lugar daqui a um ano).
O
método escolhido é inédito em Portugal. O Partido decidiu auto vincular-se ao
resultado de uma escolha a realizar pelo voto direto de todos os seus
militantes e também dos cidadãos que se registaram como simpatizantes do PS nos
termos do calendário, para o efeito aprovado.
Os
motivos da opção por esta metodologia foram políticos, constituindo as
“primárias socialistas” uma resposta política (defesa ou contra-ataque) de
António José Seguro, Secretário-geral em funções, a um “ataque político” à sua
liderança por António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa.
Contudo,
o que importa agora salientar é a novidade da metodologia - que nos Estados
Unidos da América é regra, há dezenas de anos, e que os países da União
Europeia começam agora a desbravar. Desde logo, pelo universo eleitoral que
fará a escolha. Serão cerca de 250 mil cidadãos com capacidade eleitoral para
votar. Recorde-se que, aquando da última disputa no PS, Seguro venceu (com
cerca de 23.000 votos) Francisco Assis (aproximadamente com 11.000 votos), num
universo de cerca de 50.000 militantes com capacidade eleitoral ativa. Desta
feita, serão cinco vezes mais, os cidadãos que poderão votar.
Tendo
aumentado significativamente o universo eleitoral (e a sua heterogeneidade),
maior será a incerteza quanto ao resultado final. Mas a maior curiosidade
reside em saber quantos destes cidadãos exercerão, efetivamente, o seu direito
de voto, sobretudo por estarmos num país com índices de participação política
cada vez mais baixos.
Esta
inovação democrática obrigou Seguro e Costa a exporem-se (e a exporem o seu
partido) como nunca antes se tinha visto em Portugal, sendo outra curiosidade
destas primárias socialistas, saber-se quais os reflexos políticos (nas
personalidades, condutas e propostas politicas), no médio prazo. No imediato,
viu-se já, que transformaram “Passos, Portas e Cavaco (em conjunto, e cada um
por si) nos donos absolutos do tempo político do país”, como bem descreveu
Viriato Soromenho Marques.
Uma
coisa parece certa, a exigência da campanha eleitoral foi de tal ordem, que o
vencedor sairá seguramente fortalecido para o embate eleitoral mais importante,
que se seguirá: o de merecer a confiança do país, nas próximas eleições
legislativas. Por isso, a questão que se coloca a todos, nas primárias do PS, é
a de saber qual dos dois está em melhores condições para derrotar Passos
Coelho. O que está em causa, não é disputar as eleições, é antes, o derrotar o
actual Primeiro-ministro, bem como a sua política de austeridade “selvagem”.

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