terça-feira, 23 de setembro de 2014

Primárias


No próximo dia 28 de Setembro, domingo, o Partido Socialista (PS) vai escolher o seu candidato a Primeiro-ministro (caso venha a merecer a confiança dos portugueses para constituir Governo, nas próximos eleições legislativas que terão lugar daqui a um ano).
O método escolhido é inédito em Portugal. O Partido decidiu auto vincular-se ao resultado de uma escolha a realizar pelo voto direto de todos os seus militantes e também dos cidadãos que se registaram como simpatizantes do PS nos termos do calendário, para o efeito aprovado.
Os motivos da opção por esta metodologia foram políticos, constituindo as “primárias socialistas” uma resposta política (defesa ou contra-ataque) de António José Seguro, Secretário-geral em funções, a um “ataque político” à sua liderança por António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa.
Contudo, o que importa agora salientar é a novidade da metodologia - que nos Estados Unidos da América é regra, há dezenas de anos, e que os países da União Europeia começam agora a desbravar. Desde logo, pelo universo eleitoral que fará a escolha. Serão cerca de 250 mil cidadãos com capacidade eleitoral para votar. Recorde-se que, aquando da última disputa no PS, Seguro venceu (com cerca de 23.000 votos) Francisco Assis (aproximadamente com 11.000 votos), num universo de cerca de 50.000 militantes com capacidade eleitoral ativa. Desta feita, serão cinco vezes mais, os cidadãos que poderão votar.
Tendo aumentado significativamente o universo eleitoral (e a sua heterogeneidade), maior será a incerteza quanto ao resultado final. Mas a maior curiosidade reside em saber quantos destes cidadãos exercerão, efetivamente, o seu direito de voto, sobretudo por estarmos num país com índices de participação política cada vez mais baixos.
Esta inovação democrática obrigou Seguro e Costa a exporem-se (e a exporem o seu partido) como nunca antes se tinha visto em Portugal, sendo outra curiosidade destas primárias socialistas, saber-se quais os reflexos políticos (nas personalidades, condutas e propostas politicas), no médio prazo. No imediato, viu-se já, que transformaram “Passos, Portas e Cavaco (em conjunto, e cada um por si) nos donos absolutos do tempo político do país”, como bem descreveu Viriato Soromenho Marques.

Uma coisa parece certa, a exigência da campanha eleitoral foi de tal ordem, que o vencedor sairá seguramente fortalecido para o embate eleitoral mais importante, que se seguirá: o de merecer a confiança do país, nas próximas eleições legislativas. Por isso, a questão que se coloca a todos, nas primárias do PS, é a de saber qual dos dois está em melhores condições para derrotar Passos Coelho. O que está em causa, não é disputar as eleições, é antes, o derrotar o actual Primeiro-ministro, bem como a sua política de austeridade “selvagem”. 

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