Num
discurso que marcou as comemorações do 10 de Junho de 2012, o então reitor da
Universidade de Lisboa, Professor Sampaio da Nóvoa, alertava para as enormes
fragilidades do nosso país, acentuando que “…o futuro está no reforço da
sociedade e na valorização do conhecimento”.
Contudo,
nos últimos anos, os reitores das Universidades e presidentes de Institutos
Politécnicos, têm vindo, em uníssimo, a alertar a população para os cortes
orçamentais um tanto atabalhoadamente impostos pelo Governo às Instituições que
produzem conhecimento, mas em vão.
No
ano lectivo ora iniciado, todas as instituições de ensino superior foram, uma
vez mais, afectadas por enormes carências financeiras resultantes de dotações
orçamentais aquém das suas necessidades, em alguns casos mesmo insuficientes
para cobrir as despesas correntes.
Nas
escolas do ensino básico e secundário, graças a uma absurda fórmula matemática “inventada”
pela Secretaria de Estado da Educação, utilizada na colocação de professores, de
Norte a Sul do país, reina a confusão. A título de exemplo, veja-se o caso
noticiado de “uma professora do ensino especial de
Bragança, colocada a 12 de Setembro em Constância, para onde se mudou com a
filha, foi informada, sexta-feira, da revogação do seu contrato e de nova
colocação no Algarve” e que casos similares se repetem por todo o lado.
O
desnorte ao nível da coligação é tal, que o jovem deputado do PSD, Duarte
Marques, escreveu na sua página do facebook que “esta
situação da colocação de professores assume proporções inaceitáveis. É
inconcebível que o Secretário de Estado da Administração Escolar não venha a
público esclarecer uma situação pela qual é responsável”.
O Secretário de Estado,
a quem aquele jovem do PSD se referia, é o militante do CDS, João Casanova de
Almeida que segundo revelou
o jornal Público, foi responsabilizado pelos juízes
do Tribunal de Contas por ter autorizado que fossem pagos a uma empresa do sector informático, 4,9 milhões de
euros pela instalação da rede de banda larga que liga as escolas, através de ajustes directos e adjudicações
irregulares, ou seja sem a realização de concursos públicos obrigatórios.
Com
um Ministério da Educação incapaz de assumir politicamente as suas
responsabilidades por atos que conduziram a danos irreparáveis, numa tentativa
de alijar responsabilidades, assistimos ao lançamento de umas tantas farpas entre
personalidades dos dois partidos que compõem a atual maioria que nos governa.
Um
país que evoluiu muito, graças ao investimento na educação e conhecimento, conforme
o provam relatórios internacionais,
vê-se confrontado com graves situações disfuncionais que configuram um
retrocesso dificilmente recuperável nos próximos anos.
Segundo
as cabeças pensantes de quem nos governa, o país precisa de um programa educativo
inconsistente, recheado de medidas avulsas e sem responsáveis políticos.
Estamos,
pois, perante um Governo sem Educação!

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