Banco
BES (Novo Banco e GES), Portugal Telecom e vistos Gold são casos que têm em
comum envolverem milhões e milhões de euros, quantias obscenas de dinheiro,
pipas de massa na expressão de Durão Barroso. São casos que vão constar
diariamente dos noticiários, a requererem a nossa melhor atenção.
Estamos
perante acontecimentos que geram a maior das
perplexidades, sobretudo porque ocorrem após três anos de austeridade, depois
da saída da troika que tudo vasculhou, quando era suposto termos ficado com
mais saúde financeira e económica, a coberto destes atropelos. E ainda porque o
povo português confronta-se com as enormes carências que
se abateram sobre a maioria das famílias.
Os gestores visados, que gozam da garantia de presunção de
inocência – direito que os tempos modernos, enformados pelo primado da
velocidade da informação, oblitera por completo – eram, até há muito pouco
tempo, personalidades conhecidas e respeitadas do mundo dos negócios, política ou
administração pública. Alguns deles foram recentemente agraciados pelo Senhor
Presidente da República com as mais altas comendas do país.
Mas a verdade é que foi sob o manto da crise e à sombra do Estado,
que nestes últimos anos se propiciaram a realização de alguns dos maiores
negócios realizados em Portugal. A “privatização” da EDP, da REN e dos CTT são
disso bons exemplos. E tudo indicia que o frenesim de vender mais activos do
Estado vai continuar, constando da lista as privatizações das Águas de
Portugal, ou o que resta delas, e da TAP. Tudo até ao final da legislatura,
enquanto se encontram sob investigação judicial os casos apontados, antes que
sejam apuradas responsabilidades e possa surgir um governo de orientação
contrária…
Com os inúmeros negócios promovidos durante a vigência do actual Governo,
impunha-se que os reguladores e outras autoridades tivessem sido dotados dos
meios adequados, bem como garantir a maior transparência em todas as operações.
Seria de esperar, que conhecidos estes casos fossem primeiramente apuradas
responsabilidades.
Num país em crise, onde uma “deslocada” Ministra da Justiça, “paralisou”
a justiça durante meses, são os contribuintes que, invariavelmente, acabam por ter
de suportar os seus desvarios.
Tem-se a percepção de estarmos perto do estertor final do actual
governo. O mais recente sinal de que a maioria PSD/PP se encontra em avançado estado
de decomposição foi a demissão, no domingo, do Ministro da Administração
Interna, considerado por muitos como um dos seus melhores Ministros.

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