quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Em decomposição





Banco BES (Novo Banco e GES), Portugal Telecom e vistos Gold são casos que têm em comum envolverem milhões e milhões de euros, quantias obscenas de dinheiro, pipas de massa na expressão de Durão Barroso. São casos que vão constar diariamente dos noticiários, a requererem a nossa melhor atenção.

Estamos perante acontecimentos que geram a maior das perplexidades, sobretudo porque ocorrem após três anos de austeridade, depois da saída da troika que tudo vasculhou, quando era suposto termos ficado com mais saúde financeira e económica, a coberto destes atropelos. E ainda porque o povo português confronta-se com as enormes carências que se abateram sobre a maioria das famílias.

Os gestores visados, que gozam da garantia de presunção de inocência – direito que os tempos modernos, enformados pelo primado da velocidade da informação, oblitera por completo – eram, até há muito pouco tempo, personalidades conhecidas e respeitadas do mundo dos negócios, política ou administração pública. Alguns deles foram recentemente agraciados pelo Senhor Presidente da República com as mais altas comendas do país.

Mas a verdade é que foi sob o manto da crise e à sombra do Estado, que nestes últimos anos se propiciaram a realização de alguns dos maiores negócios realizados em Portugal. A “privatização” da EDP, da REN e dos CTT são disso bons exemplos. E tudo indicia que o frenesim de vender mais activos do Estado vai continuar, constando da lista as privatizações das Águas de Portugal, ou o que resta delas, e da TAP. Tudo até ao final da legislatura, enquanto se encontram sob investigação judicial os casos apontados, antes que sejam apuradas responsabilidades e possa surgir um governo de orientação contrária…

Com os inúmeros negócios promovidos durante a vigência do actual Governo, impunha-se que os reguladores e outras autoridades tivessem sido dotados dos meios adequados, bem como garantir a maior transparência em todas as operações. Seria de esperar, que conhecidos estes casos fossem primeiramente apuradas responsabilidades.

Num país em crise, onde uma “deslocada” Ministra da Justiça, “paralisou” a justiça durante meses, são os contribuintes que, invariavelmente, acabam por ter de suportar os seus desvarios.

Tem-se a percepção de estarmos perto do estertor final do actual governo. O mais recente sinal de que a maioria PSD/PP se encontra em avançado estado de decomposição foi a demissão, no domingo, do Ministro da Administração Interna, considerado por muitos como um dos seus melhores Ministros.


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