Parece
estar em curso uma mudança de paradigma na relação entre magistrados judiciais
e a comunicação social, com as inerentes consequências da perceção que os
cidadãos têm do funcionamento da Justiça.
Tradicionalmente
avessos à exposição mediática, os magistrados judiciais, muito em especial o
Juiz Carlos Alexandre, passaram a estar sujeitos às luzes da ribalta, graças
aos últimos acontecimentos judiciais tornados públicos pela comunicação social
escrita e falada.
Casos
mediáticos, como o processo BCP de Jardim Gonçalves (absolvição, mas com uma
impressiva declaração de voto de uma das magistradas que integrava o Tribunal
Coletivo), o processo Face Oculta, a condenação pelo crime de prevaricação da ex-Ministra
da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues e do advogado João Pedroso, a condenação
de Duarte Lima, as buscas ao Banco Espirito Santo, as detenções de altos
dirigentes da Administração Publica (Vistos Gold) e finalmente a detenção em
direto, no aeroporto de Lisboa, do antigo primeiro-ministro José Sócrates, deram
origem a um escrutínio público, sem precedentes, das decisões judiciais e dos seus
responsáveis. Ora, é sabido estarmos perante decisões judiciais de primeira
instância, que, na sequência de recurso, poderão vir a ser reanalisadas e
alteradas pelos juízes da Relação, em geral mais experientes.
De entre
os magistrados judiciais, Carlos Alexandre, o “super juíz” do Tribunal Central
de Investigação Criminal de Lisboa (batizado de “Ticão”) ganhou recentemente o
estatuto de grande “vedeta” e não há jornal ou telejornal que não lhe dê enorme
destaque. Tal como acontece às vedetas, é inevitável, que, doravante as suas
decisões judiciais, conduta profissional e até a sua vida pessoal, passe a ser minuciosamente
escrutinada,o que será extensivo aos demais juízes que tenham a seu cargo
processos mais mediáticos. Este é o risco da mediatização da Justiça.
O
juiz vedeta não é um exclusivo de Portugal e o escrutínio da sua conduta também
não. Em Espanha, o famoso juiz Baltasar Garzón, acabou mesmo em “desgraça”,
condenado por ter ordenado escutas ilegais.
Neste
momento, uma coisa é certa, a Justiça que tem estado “suspensa”, de repente, até
parece que passou a funcionar, muito se devendo ao juiz Carlos Alexandre e, antes
de mais, ao alarido promovido pela comunicação social.

Sem comentários:
Enviar um comentário