
Sempre ao longo da sua história, o
Partido Socialista esteve na vanguarda do aprofundamento e qualificação da
democracia. Às eleições diretas, ao princípio do limite de mandatos, às quotas
de género nas listas de candidatura, o PS juntou agora mais um marco de
progressismo democrático com a realização das primeiras eleições primárias em
Portugal com abertura a não militantes para a escolha do seu candidato a primeiro-ministro.
A resposta ao apelo à cidadania
lançado pelo PS foi absolutamente retumbante com uma adesão extraordinária de
milhares de cidadãos não filiados que, certamente, terá convencido os mais
relutantes. O sentido cívico exemplar vivido por todo o país, a fazer lembrar
os mais míticos dias eleitorais do nosso Portugal democrático, demonstrou que
haverá sempre espaço para mais democracia dentro dos próprios partidos.
Dos resultados inequívocos das
eleições primárias de 28 de setembro, com mais de 100.00 participantes, sai um
candidato a primeiro-ministro mais forte e legitimado do que nunca. Depois da maioria
absoluta em Lisboa que atestou o reconhecimento dos lisboetas pelo seu
trabalho, também o país, perante uma disputa interna muito intensa, valorizou
esse legado autárquico, optando por reafirmar e expressar essa confiança em
António Costa com uma mensagem muito clara: transportar para o país, a mesma
ambição que restituiu a Lisboa nos últimos anos o orgulho perdido.
Em contraste, importa lembrar que temos
ainda um primeiro-ministro rejeitado pelos portugueses, que perdeu as duas
últimas eleições nacionais com os piores resultados de sempre do seu partido (e
a última delas em coligação), que rasgou o seu próprio programa eleitoral para
fazer o contrário do que tinha prometido, enredado num novelo de verdades mal
contadas que atingem indelevelmente a sua idoneidade moral e ética para o
exercício das suas funções. Passos Coelho perdeu, em rigor, a sua legitimidade
substantiva para decidir em nome de todos.
E se o país se encontra carente de
esperança, órfão de rumo e liderança e existe uma alternativa mais legitimada
do que nunca pelos portugueses, para quê adiar o inevitável? Cada dia que
passa, ficará mais difícil para os portugueses compreender porque continua à espera
o Presidente da República para convocar novas eleições legislativas e para
devolver finalmente a Portugal um Governo com legitimidade renovada, forte,
patriótico, e preparado para vencer os desafios do futuro.
Pedro Ramos Almeida
(JORNAL DE LISBOA - EDIÇÃO OUTUBRO)
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