segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

UMA NOVA LEGITIMIDADE







Sempre ao longo da sua história, o Partido Socialista esteve na vanguarda do aprofundamento e qualificação da democracia. Às eleições diretas, ao princípio do limite de mandatos, às quotas de género nas listas de candidatura, o PS juntou agora mais um marco de progressismo democrático com a realização das primeiras eleições primárias em Portugal com abertura a não militantes para a escolha do seu candidato a primeiro-ministro.


A resposta ao apelo à cidadania lançado pelo PS foi absolutamente retumbante com uma adesão extraordinária de milhares de cidadãos não filiados que, certamente, terá convencido os mais relutantes. O sentido cívico exemplar vivido por todo o país, a fazer lembrar os mais míticos dias eleitorais do nosso Portugal democrático, demonstrou que haverá sempre espaço para mais democracia dentro dos próprios partidos.


Dos resultados inequívocos das eleições primárias de 28 de setembro, com mais de 100.00 participantes, sai um candidato a primeiro-ministro mais forte e legitimado do que nunca. Depois da maioria absoluta em Lisboa que atestou o reconhecimento dos lisboetas pelo seu trabalho, também o país, perante uma disputa interna muito intensa, valorizou esse legado autárquico, optando por reafirmar e expressar essa confiança em António Costa com uma mensagem muito clara: transportar para o país, a mesma ambição que restituiu a Lisboa nos últimos anos o orgulho perdido.


Em contraste, importa lembrar que temos ainda um primeiro-ministro rejeitado pelos portugueses, que perdeu as duas últimas eleições nacionais com os piores resultados de sempre do seu partido (e a última delas em coligação), que rasgou o seu próprio programa eleitoral para fazer o contrário do que tinha prometido, enredado num novelo de verdades mal contadas que atingem indelevelmente a sua idoneidade moral e ética para o exercício das suas funções. Passos Coelho perdeu, em rigor, a sua legitimidade substantiva para decidir em nome de todos.


E se o país se encontra carente de esperança, órfão de rumo e liderança e existe uma alternativa mais legitimada do que nunca pelos portugueses, para quê adiar o inevitável? Cada dia que passa, ficará mais difícil para os portugueses compreender porque continua à espera o Presidente da República para convocar novas eleições legislativas e para devolver finalmente a Portugal um Governo com legitimidade renovada, forte, patriótico, e preparado para vencer os desafios do futuro.


 
Pedro Ramos Almeida

(JORNAL DE LISBOA - EDIÇÃO OUTUBRO)

Sem comentários: