No
seu mais recente relatório sobre estabilidade financeira, o Fundo Monetário
Internacional (FMI) alerta que os "elevados níveis de dívida no
sector privado continuam a ser
um obstáculo ao crescimento e à estabilidade financeira”. E, segundo a mesma organização
internacional “a dívida privada tem sido, aliás, um dos principais problemas na economia portuguesa”.
Em
Portugal, estima-se que, no final de 2014, a dívida das famílias seja de 82,6%
do PIB e que a dívida das empresas (dívida empresarial bruta) venha a cifrar-se
num valor ainda mais elevado, em torno dos 108,5% do PIB.
Estes dados deveriam merecer a maior
preocupação e a melhor reflexão dos governantes, uma vez que relevam que o
sector privado em Portugal, não gere bem o que era “suposto dever gerir”,
sobretudo quando comparamos o quadro legal em que se move o gestor privado (sob
“chapéu” da livre iniciativa e dos salários milionários) com o do gestor
público (sob o estigma da gestão pública e a quem por lei, são impostas um sem
número de restrições). Contudo, tem sido quase só a dívida pública - e não a
dívida privada – que tem sido apresentada à opinião politica como a responsável
de todos os males.
Os números ora revelados não constituem
surpresa. As grandes derrocadas financeiras (falências) em Portugal – em
particular na Banca, de que são exemplo o BPN e o Banco Espírito Santo - evidenciavam
grandes debilidades na gestão do setor privado.
Não foi só na Banca que o elevado
endividamento e a má gestão foram notícia nos últimos anos. A “queda” abrupta
em bolsa da Portugal Telecom (tida como exemplo de sucesso empresarial e de
internacionalização), cujos contornos reais ainda se encontram por esclarecer,
é também outro bom exemplo. Na hotelaria, o colapso do grupo CS do empresário Carlos Saraiva, arrastou consigo centenas de pequenas e
médias empresas e deixou em situação desesperada um número elevado de trabalhadores.
Não obstante a evidência
da “ausência de gestão” ou mesmo de existência de “gestão danosa”, os gestores
privados dessas nossas empresas encontram-se entre os mais bem pagos em
Portugal (mais bem pagos até que os gestores de empresas congéneres do outro
lado do Atlântico, significativamente maiores).
Estes exemplos replicados por todo o
país – quem é que na sua cidade não conhece uma mão cheia de “boas” empresas
falidas – tiveram efeitos devastadores na economia e reflexos graves na vida
das pessoas.
A gestão privada tem revelado dolorosas
fragilidades, que o FMI aponta agora como obstáculo ao crescimento e à
estabilidade financeira.

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