As eleições gregas que deram a vitória à coligação da esquerda radical
(Syriza) e o referendo grego sobre as exigências dos credores internacionais
catapultaram para a fama o Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras e o então Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis.
Podemos não estar recordados mas as eleições gregas e o referendo decorreram
ainda no presente ano, tendo sido notícias de abertura de telejornais, dias-a-fio,
relegando para segundo plano a politica interna dos diversos países da União
Europeia.
Havia motivos para tamanha excitação? Claro que havia,
o Syriza fora então uma “pedrada no charco” na previsível política dos países
da União Europeia. Um partido de extrema-esquerda, liderado por um político
“informal” chegara ao poder, nem que para isso tenha precisado de fazer uma
coligação pós eleitoral com um partido da extrema-direita e de ter posto em
causa a permanência da Grécia na União Europeia.
Em menos de um ano, depois da realpolitik se ter
imposto na Grécia, o país vai novamente para eleições legislativas. Serão já no
próximo dia 20 de Setembro. O Syriza liderado por Alex Tsipras ainda pode
vencer as eleições (as sondagens, neste momento, revelam um empate com a
direita da Nova Democracia), não obstante a perda da popularidade alcançada este
ano. Num cenário politico pós eleitoral imprevisível, pouca ou nenhuma atenção passou
a ser dada às eleições na Grécia pelos nossos media, comentadores de serviço e
forças políticas.
Por
cá e apesar das próximas eleições legislativas se realizarem daqui a menos de
um mês, reina um défice no debate democrático que, por esta altura, deveria ser
intenso. Existe uma clara anestesia eleitoral, favorável à coligação no poder,
apenas quebrada com a libertação do Ex-Primeiro Ministro, José Sócrates, que
passou a ser, para os media, uma espécie de “vilão” nacional.
Quando
era expectável a atenção dos media sobre as propostas eleitorais, contactos dos
candidatos com os cidadãos nas ruas, intervenção dos jovens nas redes sociais
sobre o futuro do país e uma cobertura noticiosa aguerrida, somos brindados com
uma atípica apatia eleitoral. Enigmáticos silêncios, estes. Esperamos que sejam
definitivamente quebrados no debate de quarta-feira, dia 9 de Setembro, entre
os dois principais candidatos a Primeiro-ministro, António Costa e Pedro Passos
Coelho.
