terça-feira, 8 de setembro de 2015

Estranhos silêncios



As eleições gregas que deram a vitória à coligação da esquerda radical (Syriza) e o referendo grego sobre as exigências dos credores internacionais catapultaram para a fama o Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras e o então Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis. Podemos não estar recordados mas as eleições gregas e o referendo decorreram ainda no presente ano, tendo sido notícias de abertura de telejornais, dias-a-fio, relegando para segundo plano a politica interna dos diversos países da União Europeia.

Havia motivos para tamanha excitação? Claro que havia, o Syriza fora então uma “pedrada no charco” na previsível política dos países da União Europeia. Um partido de extrema-esquerda, liderado por um político “informal” chegara ao poder, nem que para isso tenha precisado de fazer uma coligação pós eleitoral com um partido da extrema-direita e de ter posto em causa a permanência da Grécia na União Europeia.

Em menos de um ano, depois da realpolitik se ter imposto na Grécia, o país vai novamente para eleições legislativas. Serão já no próximo dia 20 de Setembro. O Syriza liderado por Alex Tsipras ainda pode vencer as eleições (as sondagens, neste momento, revelam um empate com a direita da Nova Democracia), não obstante a perda da popularidade alcançada este ano. Num cenário politico pós eleitoral imprevisível, pouca ou nenhuma atenção passou a ser dada às eleições na Grécia pelos nossos media, comentadores de serviço e forças políticas.

Por cá e apesar das próximas eleições legislativas se realizarem daqui a menos de um mês, reina um défice no debate democrático que, por esta altura, deveria ser intenso. Existe uma clara anestesia eleitoral, favorável à coligação no poder, apenas quebrada com a libertação do Ex-Primeiro Ministro, José Sócrates, que passou a ser, para os media, uma espécie de “vilão” nacional.

Quando era expectável a atenção dos media sobre as propostas eleitorais, contactos dos candidatos com os cidadãos nas ruas, intervenção dos jovens nas redes sociais sobre o futuro do país e uma cobertura noticiosa aguerrida, somos brindados com uma atípica apatia eleitoral. Enigmáticos silêncios, estes. Esperamos que sejam definitivamente quebrados no debate de quarta-feira, dia 9 de Setembro, entre os dois principais candidatos a Primeiro-ministro, António Costa e Pedro Passos Coelho.

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