sexta-feira, 30 de março de 2012

Aplausos por favor! Obrigado! Obrigado!


Consta que no último Congresso do PSD os congressistas do Porto receberam a seguinte mensagem no telemóvel:


"Pede-se aos delegados que demonstrem a sua satisfação com a eleição do vice-presidente do
PSD, Dr. Marco António Costa, quando subir ao palco."


Sem o mesmo requinte artístico, com esta iniciativa de "vanguarda" na comunicação partidária, o PSD e Marco António Costa conseguiram fazer-nos regressar ao tempo do saudoso Tony Silva de Herman José que, utilizando uma esbelta senhora, pedia aplausos e risos ao público com duas vistosas placas.

Este é mais um exemplo do ridículo a que um congresso partidário pode chegar. Em vez de debate de ideias e confronto de alternativas sintonizados com a realidade do país, assiste-se a um reality show e entertenimento de baixa categoria, em que os delegados são tratados como meros figurantes em vez de representantes da vontade genuína dos militantes.


Organização, rigor e exigência na imagem e na mensagem para os media não podem implicar opções parolas de condicionamento da vontade dos congressistas.


A História dos partidos, a nossa democracia, o nosso país, merecem mais. Muito mais!

segunda-feira, 26 de março de 2012

A RUA


Neste ambiente político em que vivemos, importa salientar, as posições insensatas e extemporâneas do Senhor presidente da República, desta feita ao “achincalhar” o ex-primeiro ministro, levantando um generalizado eco de protestos (da direita à esquerda). Note-se que o Presidente Aníbal Cavaco Silva, eleito por sufrágio direto e universal, deixou de ser, definitivamente, o Presidente de todos os portugueses. Acresce ainda relevar que, lá para o final do ano, quando o desemprego atingir os 15%, e os primeiros desempregados do ciclo governativo iniciado no ano passado, deixarem de beneficiar do seu reduzido subsídio de desemprego, é bem possível que a voz do Presidente, nem sequer seja ouvida. Quando a miséria começar a transbordar de forma mais abrangente, sem um Presidente da República capaz de unir as gentes, a rua poderá mesmo vir a ser o terreiro de todos os protestos.
Muitos, com propósitos ínvios, não se esquecem de nos lembrar quase diariamente que somos diferentes dos gregos, esquecendo-se de referir que este é um povo com uma História milenar, identitária da civilização europeia, a de hoje, que já renegociou a sua dívida e que persiste em sair à rua.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Contra uma República de Magistradros - Reflexão de Rui Namorado que pode ler aqui

http://ograndezoo.blogspot.pt/2012/03/contra-uma-republica-de-magistrados.html

"O 25 de abril, a democracia, foram imprudentemente generosos em face da cumplicidade dos corpos da magistratura com os desmandos do fascismo, tão bem sintetizada nos tribunais plenários"

quarta-feira, 14 de março de 2012

Interesse Público - O Apagão


Quem desempenha funções públicas deve defender intrasigentemente o interesse público. Ao que parece, na defesa do interesse público estava verdadeiramente empenhado o Secretário de Estado da Energia. Claro que este desconhecido (mas que do sector energético sabia umas coisas, dado que veio da REN) não fazia mais do que a sua obrigação.
Mas quem se mete com a EDP leva um apagão. É assim com os consumidores. Foi assim com o Secretário Estado.
Uma pena, porque fica a sensação de que sem um ajudante energético como este no Governo, perdemos todos nós.

terça-feira, 13 de março de 2012

E agora Coimbra?

Coimbra é uma cidade de dimensão média onde muitos cidadãos escolheram viver.
Sem desprimor para os demais, refiro aqueles que puderam efectivamente optar. Nos quais me incluo.  
Claro que, na decisão, pesaram fatores afetivos, as oportunidades de trabalho, a segurança, o acesso à educação, à cultura e ao desporto.  
Coimbra, no contexto nacional, transmite ainda uma forte mensagem, na afirmação de uma certa maneira de falar, de escrever e sobretudo de pensar.
Com uma forte componente de serviços, muitos deles públicos, a cidade e os seus profissionais foram quase sempre uma referência nacional.
Em todo o espaço nacional e nas comunidades falantes do português, os conimbricenses são olhados com simpatia e, sobretudo, com respeito.
Identificada com a sua Universidade, com mais se sete séculos e uma das mais antigas da Europa, a cidade já foi um exemplo de modernidade e de ambição.
Contudo, o desenvolvimento do resto do país a partir do início dos anos 90, possibilitou a outras cidades de média dimensão, uma afirmação sem paralelo. Neste particular, merece destaque a cidade de Guimarães, Capital Europeia da Cultura no corrente ano.
Guimarães demonstrou que com muito trabalho, um planeamento cuidado a médio e longo prazo e uma liderança agregadora de vontades, é possível atingir-se uma afirmação exemplar.
Guimarães é presidida por um autarca de grande prestígio do Partido Socialista. Mas isso, por si só, é insuficiente. Foram consensos sobre os assuntos fundamentais para a cidade que permitiram uma forte afirmação a nível nacional.
Coimbra tem enunciado querer ser muita coisa - capital do conhecimento, capital da saúde, capital da região centro, mas, progressivamente tem vindo a perder importância económica, influência política e protagonismo, sendo, hoje, uma cidade parada no tempo a contemplar a torre da sua Universidade.
Coimbra, que vem sendo governada nos últimos dez anos por uma coligação liderada pelo PSD, deixou-se ir na onda dos lobbys da construção e das rotundas, muito para além do necessário, sem ser capaz de atentar que um dia, não haveria gente para as novas habitações. Faltou-lhe uma liderança sagaz e preparada, com capacidade de planear e para imprimir um rumo.
Contudo, Coimbra tem uma característica única face às demais cidades médias do país. É uma cidade onde se enriquece a língua portuguesa. É uma cidade enriquecida pela língua portuguesa. Gerações de cidadãos portugueses estudaram na cidade Coimbra. Gerações de cidadãos dos países de origem de língua portuguesa passaram por Coimbra e outras, mais jovens, continuam a procurar a cidade.
Antes de Guimarães ser capital europeia da cultura, em 2012, o Porto já havia sido em 2001. É de relembrar que Coimbra foi a primeira capital nacional da cultura.
As sociedades para se desenvolverem carecem de desafios e, Coimbra, também. Chegou a hora de Coimbra ambicionar ser Capital Europeia da Cultura, em 2022. Um desafio que teria na lusofonia a sua alma. Com tempo e sem a espuma do curto prazo, chegou a hora de preparar a cidade.
É a hora de começar.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Uma ponte é uma passagem...




Este recente caso em torno das compensações à Lusoponte levou o país para uma espécie de nevoeiro de razões e dúvidas em que o interesse público aparece como entidade menor.

Passados tantos anos, já parece extemporâneo perguntar como Ferreira do Amaral é Presidente desta empresa imediatamente depois de ter sido o Ministro das Obras Públicas responsável pela negociação do seu financiamento.

Ainda assim, continua a contar para os portugueses saber porque razão o Estado cedeu a "compensar" uma empresa privada, num negócio monopolista de lucro garantido e ilimitado, inicialmente sujeito a concurso público e ao princípio da concorrência? Afinal, em que termos se negoceiam contratos de milhões em nome do Estado e de todos nós? Porque razão se mantêm estes contratos blindados pela opacidade e falta de escrutínio público?

Irónico é verificar que é o mesmo Secretário de Estado que "paga em dobro" 4 milhões de euros à Lusoponte que, como se sabe, tem o exclusivo da passagem rodoviária sobre o Tejo, que extingue horários e asfixia as empresas de transporte colectivo que servem as populações das duas margens, atirando as pessoas para o transporte individual e para o pagamento de portagens nas duas pontes. Talvez esteja encontrado um forte candidato para próximo Presidente da Lusoponte...

quinta-feira, 1 de março de 2012

"BES propõe corte de 50% no salário dos executivos"

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2335873&seccao=Dinheiro

Não sou accionista nem cliente, mas num tempo em que os Bancos merecem tudo menos elogio, esta decisão do BES pode ter o mérito de trazer à colação um debate que merece mais aprofundamento, quer a nível nacional quer a nível europeu, referente às diferenças salariais dentro das empresas e o seu impacto na governação empresarial, na economia e na ampliação das assimetrias sociais.

O tempo de mudanças que vivemos exige uma reflexão crítica sobre o príncipio, incontestado por muitos "magos" da economia, de que a competitividade pode assentar num modelo de salários inflacionados e prémios chorudos para gestores e baixos salários acompanhados de precariedade para os restantes trabalhadores.